Dia 16 de Dezembro a bombar

Porque o estagio tem fama de nao ser so trabalhar.
Porque o estagio efectivamente nao e so trabalhar...

Eis a nossa (belga, holandesa e portuguesa) festa:

http://globalwarmingparty.fokke.net/stagiaires.html
Quando fizer 25 anos quero ser isto:

http://www.cicr.org/Web/eng/siteeng0.nsf/iwpList423/55F1B950346EE9A9C1256B66005EAB70
Ha duas coisas que conseguem fazer as minhas manhas manhas felizes:

1/ Quando o Liberation, que compro ali no quiosque, vem com a entrevista individual na ultima pagina (e nao publicidade).
Foi la que descobri a autora do livro mais impressionante que ja li La memoire des os, sobre o papel dos antropologos legistas que retiram corpos de valas comuns e analizam-nos para recolher dados para os tribunais penais internacionais.
Foi la que descobri tudo sobre um senhor que gere um estabelecimento dedicados as practicas sado-masoc muito apreciadas pela alta sociedade parisiense ao que parece.
Foi la tambem que fiquei a saber mais sobre o braco direito do Nicolas Sarkozy, homem da sombra, sempre fiel ao amigo de longa data, nunca invejoso e tal e que, nao obstante, lhe fugiu com a mulher - Cecilia ex-Sarkozy.

2/ Quando, ao aproximar-me da paragem de autocarro, me cruzo com uma menina pequenina de facies indiano, toda enxouricada em camisolas, blusao e cachecol cor-de-rosa, de mao dada ao pai (de facies igualmente indiano) a ir para a escola.
No inicio era sinal de que nao tinha perdido o autocarro
Agora e um raio de sol porque a menina e pai me sorriem quando nos cruzamos.
E eu sorrio-lhes a eles.

O proximo fim de semana em imagem

O fim de semana passado em palavras


Este fim de semana nevou a dar com um pau. Era uma chafurdeira, so neve e neve e depois lama e lama. A chafurdeira veio piorar o basqueiro das folhas. Sim, porque a neve quando cai, cai em silencio, so que as folhas de platano, quando caiem ensopadas de neve fazem PLOCCC!

Esforoco-me a ir a aulas de salsa com os coleguinhas, como se nao bastasse ter que os aturar no trabalho, porque acho que a danca tem futuro. Mas fui a um bar de salsa a serio na sexta-feira e nao consegui reconhecer nada. Aquilo era so girar e girar e bracos pra cima e bracos entrelacados e cabelo a rodar e tal. Eu, nas minhas aulas bem que podia por as maos nos bolsos, aquilo e so jogo de pes. Estarei eu nas Claquettes por engano?

Doce


La em cima esta o tiroliroliro...

Lar



La em baixo ta o tiroliroloooo!

Desorientacoes

Ontem estava a voltar para casa depois da aula de Salsa e vinha em piloto automatico derivado a fazer tanto frio nesta terra.

Nao costuma ser problematico:

Saio do To (carro) ando ate a praca.
Circulo a praca para o lado do mini-mercado. Passo o mini-mercado.
Penso: tenho leite que chegue para amanha? Tenho.
Torno a esqueda e sigo sigo sigo
Passo a lavandaria
sigo e a primeira - minto - a segunda (onde ha as arvores) viro a esquerda.

Ora ocorreu que ontem dei por mim ja tava a passar a loja de Kebab do Mohammed.
Tu queres ver.

Volto para tras e vou com atencao.
Mas a minha rua, com as minhas arvores frondosas cujas folhas estao sempre a cair e fazem um basqueiro do caneco com o vento, que se houve tudo do meu res-do-chao e nem consigo dormir,
nem ve-la.

Tive que ir olhar para as placas e ler os nomes, que sao tipo assim:
Rue
Victor Hugo
Straat
A sorte deles e que o Alemao e quase sempre como o holandes - perdao Flamengo - senao haviam de ser uma ricas placas, faco ideia. Nao quero agoiorar ao conflito de minorias, mas eu tenho ca pra mim que o que aquele Straat representa e a populacao flamenga, nao a alema.

Bem adiante, so assim dei com a minha rua. E vi: podaram os ramos as arvores todas.

Resultado: ja nao da pra vir em piloto automatico para casa, ja nao tenho aquela leve sensacao de floresta mesmo a porta, mas continuo com o basqueiro das folhas, porque os jovens da Communa deixaram uma pequena colina com restos de folhas mesmo, mas mesmo em frente ao meu res-do-chao e ja pra la andava um puto a chafurdar no meio e a espalhar aquilo por todo lado.

Procura-se

Homem ou mulher com menos de 30 anos,
boa apresentacao,
solteiro ou disposto a tornar a se-lo,
tendo obtido uma licenciatura e um mestrado com classificacao maxima,
com tolerancia maxima as questoes e burocracia europeias,
com capacidade de trabalho das 8h30 as 19h,
com capacidade de ingestao de cerveja das 19h15 a 01h, sem ingestao de jantar
com capacidade recuperacao de ressaca em menos de 7h,
com talentos de danca incontestaveis,

para:
organizacao de conferencias, arquivagem de documentos, concepcao de apresentacoes powerpoint sobre pontos tecnicos da accao da Comissao, redaccao de minutas, redaccao de manuais de treino, organizacao de ficheiros no computador, avaliacao de projectos e muito mais.

Oferecemos:
uma remuneracao competitiva de 900 euros por mes e a oportunidade unica de desgracar a saude e a linha com um imparavel ritmo de vida alimentado a cerveja, chocolate e batata frita Belga.

E aqui, na Comissao Europeia,
Sempre fiel ao servico dos seus cidadaos.

Conclusao ao fim de 1 mes e meio




Gosto muito desta sensacao de saber finalmente o que estou pr'aqui a fazer.
Aos Domingos, Bruxas enche-se de pequenos seres castanho claro que cantam coisas em coro aos altos berros e se deslocam em manada: os escuteiros.

Eu tinha cà pra mim que os escuteiros tinham alguma coisa a ver com a Igreja. Mas hoje comecei a duvidar, ou os escuteiros nao sao o que eu pensava ou a Igreja jà nao é o que era.
Estava sentada no autocarro a olhar para as minhas pernas dentro das calcas de ganga a pensar
é pà tenho mesmo que ir nadar de vez em quando ou correr ou qualquer coisa e aquele chocolate que trouxe ontem de Bruges nao o posso comer nao, agora é so saladinhas e acabarm-se também as batatas fritas na Place Jourdan...

Quando os meus olhos dao por umas pernas à minha frente que nunca mais acabavam. Iam por ali a cima e a cima e so ao chegar às ancas é que desapareciam debaixo da mini mini mini saia de uma jovem escuteira de 16 ou 17 aninhos. Ali, zàs, 80% de pernas sem collant nem nada que eu pessoalmente acho mal, sim porque com este frio nao faz nada bem andar-se assim de pele ao léu.

Outra versao desta criatura, que vi depois na rua ali ao pé do Parc, consiste na mesma proporcao de pername descoberto pela saia, mas envolto em duas meias até meio da coxa, com risquinhas coloridas horizontais tipo Pipi das Meias Altas (que é a personagem favorita do Principe e eu a pensar, ai jesus ainda bem que ele nao esta aqui).

Entao tomei medidas dràsticas e fui a pé para casa.
Demorei 52 minutos e como nao trazia as meias de descanso agora doiem-me as varizes.

Odeio mesmo escuteiras.

A trouxa Sudanesa (ou sugestoes para prendas de Natal)



"Ja assentei muito bem tudo o que me convem pra Khartoum levar...

- uma rede anti-mosquitos impregnada com produto anti-mosquitos (nao tenho que a minha ficou em Dili)

- Repelente (4 frascos) (ja tenho mais ou menos)

- uma bolsa-farmacia com anti-dores de cabeca, anti-dores de barriga, anti-dores de estomago, anti-revolucao intestinal, creme contra entorses, comprimidos anti-malaria, seringa esterizada, pensos rapidos, adesivo, gaze (ja tenho mais ou menos)

- Dolares e Euros que chegue para viver 6 meses sem recorrer a um cartao bancario derivado a nao haver caixas para cartoes bancarios em Khartoum (ahah acham mesmo que ja tenho?...)

- camisas de algodao e cor clara para afuguentar os mosquitos e de mangas compridas para nao afuguentar os locais (so tenho 3 ou 2)

- calcas de cor clara para afuguentar os mosquitos e compridas para nao afuguentar os locais (so tenho 2 e nao sao de cor clara)

- xanatos abertos, que vao estar 35 graus todos os dias e nao ha aversao local ao dedao ao leu (ja tenho)

- saco-cama (ja tenho)

- toalha (ja tenho)

- toalhetes, nao va faltar a agua (ja tenho)

- canivete suico que da sempre jeito (ja tenho que o Principe deu-me)

- lanterna por causa dos cortes de electricidade (ja tenho)

- o meu computador com muita musica (ja tenho)

- a serie completa dos DVDs do Sex & the City, a serie completa dos DVDs do Friends, o DVD do Gato Fedorento, a serie completa dos DVDs do Servico de Urgencias, a serie completa dos DVDs do Senhor dos Aneis (ainda nao tenho)

- e no espaco restante: livros. Muitos que nao ha nada pra fazer depois do trabalho (ja tenho)

Mas o mais importante, nao me posso esquecer dos meus oculos de sol
que levo pra chorar
uh uh
sem ninguem ver
uh uh
pra nao dar
uh uh
a perceber
uh uh
o meu sofrer..."

de ter de esperar ate a Marco ou Abril para ver o Principe descer do aviao de cabelo ao
vento e correr
(Ai ai)
correr
(Ai os guardas)
de bracos abertos
(Ai qu'eles t'apanham)
"Princess!!"

ate mim, que estarei do outro lado dos guichets da emigracao.


O PROXIMO DESTINO




Em Fevereiro estarei la!!!!!

Eh pá,

gosto de vir para casa a caminhar por uma rua onde sou a única mulher sem véu, mas onde uma mulher com véu vem a correr atrás de mim para me dar a nota de 10€ que caiu do bolso demasiado largo do meu caso falando-me numa língua que não compreendo e provavelmente não percebendo o meu "merci beaucoup", não fosse o meu tom entusiástico de reconhecimento;

onde a condutora (com véu) de um carro cheio de mulheres (com véu) me pergunta a mim (sem véu) o que é que está a acontecer ali na praceta de onde vem um som de música Turca;

e gosto também de um bairro onde um enorme homem negro como a noite, com um ar de mau daqueles que mete mesmo medo, me pergunta atrapalhado, no lavomatique, se se pode misturar loupa branca com roupa de côr na máquina de secar porque a mulher lhe disse faz-te útil, homem, vai lavar a roupa, mas tem cuidado não me mistures roupa de côr diferente. Na máquina de lavar, obviamente.

Ninguém parece julgar-me aqui. Ninguém parece pensar esta não é de cá, não percebe nada.
Gosto.
A minha nova casa vai ser um duplex.

Um duplex rés-do-chão / cave.



But still um duplex.

Estão todos convidados para descer às profundezas comigo, a partir do mês de Novembro.
Chancelerina Merkel?
ou
Chancelina Merkel?
ou
Chanceléria Merkel?
ou
Chanceleoria Merkel?
ou
Chanceleória Merkel?

Tão a ver que nem com o nome dá...

Hesitações

Ontem fui a uma feira da ladra.
Quase comprei uma caixa para bijoux assim com gavetinhas e uma plataformas que se deslizam assim prós lados e aparecem outras plataformas, uma jóia de objecto. A parte de fora é que era assim toda prateada meia foleirota.
Então deixei-a.
Quase comprei uma câmara de filmar Super 8 para fazer filmes sobre Bruxas com um toque anos 40, mas depois aquilo pesava comó raio e eu tou a mudar de casa daqui a 2 semanas, e ainda por cima os filmes para a Super 8 custam o olhame da cara e incendiam-se todos tipo fósforo à mínima coisinha.
Então deixei-a.
Combatendo a minha embirração com a espécie, lá acedi a brincar com umas escoteiras ao jogo de pôr papeis com umas cenas em Holandês dentro da caixa amarela - na azul não, que é da outra equipa, na amarela é que é. Não conhecem o jogo? Eu também não, mas como não espero perceber nada do que os escoteiros fazem de qualquer maneira não me importo.

Reuniame

Ah assim já é melhor, com internet em casa! Ganda fé

O meu primeiro dia de trabalho foi muito engraçado. Gostei muuuuito, apreciei... tão a ver?
Começou comigo a acordar às 7h30, coisa que só costumo fazer quando tenho que apanhar um daqueles vôos da Ryanair.
Isto porquê?
Greve de transportes.

Ainda nem tinha acordado, já estava a emaranhar pela a avenida acima, afastando o nevoeiro e cobrindo o cabelo para não ficar todo horrível com a humidade, calando a dor dos calos dentro do sapatame janota, numa caminhada de 1h até ao escritório.

O que uma estagiária faz, nossa senhora. O que seria se me pagassem bem.

Dei com o edifício ali já no cruzamento antes do aeroporto, para aí a 2 Km de Antuérpia ou quase e a milhas e milhas de Schuman, que é onde me disseram que era a Comissão. Até é, só que também é num raio de 50Km à volta.

Conheci os meus coleguitas, conheci o meu sistema informático, conheci as secretárias, conheci a minha nova identidade (Maria Crispim Rebelo).
Conheci o meu gabinete mas não pude lá entrar derivado a uma reunião e conheci a minha supervisora mas não pude lá entrar derivado a uma reunião. Depois do almoço deixaram-nos entrar numa reunião. Na reunião cantaram um karaoke (vos garanto). Depois entrei com a minha supervisora para outra reunião, desta vez sobre o assunto ao que eu vim: o estágio e o qué co vou fazer.

Gosto muito da minha unidade. Não é numérica porque chama-se 4 mas tem praí umas 12 pessoas. Muito uniiiiidas, claro, mas mesmo assim não passam por 4 e muito menos por 1.

Gosto muito da minha chefe No. 3, do meu chefe No.2 e do meu chefe No. 1 também embora só tenha dito olá muito boa tarde eu sou tal tal e estou muito entusiasmada por estar aqui.

Depois vou voltar para casa, a afastar o nevoeiro que em Bruxelas não é matinal.

Vou agora descansar um pouco os olhos enquanto as lentes de contacto se purificam no líquido de limpeza e depois torno a pô-las para ir à 1ª grande festa de estagiários cujos bilhetes ocasionam regularmente um assedio dos estagiários por parte dos funcionários, que coitados já lá tão dentro e têm menos de 30 anos e se dão conta que a vida não é só 12 estrelas douradas.
É no meio de um bosque a sul de Bruxas, assim já às portas do Luxemburgo
Mas promete.

Bruxas

A chegada a Bruxas nao comecou la muito bem...

O estudio e novo e limpinho mas so tenho internet no quarto depois de 4a feira, nao tenho pratos, nem cabides, nem cobertor, nem piassà e nao ha coisas para pendurar toalhas.

Para alem disso, o estudio e num res-do-chao. Tenho duas janelas: uma no tecto; que nao da para abrir e outra a dar para o sitio onde se parca as biclas, de maneira que tenho que ter sempre os estores fechados porque esta sempre gente a entrar e a sair...

O tao temido bairro, nao e assim tao horrivel. Quando cheguei achei o ambiente pouco simpatico porque so se via bandos de homens/rapazes na rua. Penso que e uma comunidade Turca. Olhavam para mim com um ar suspeito, mas quando perguntei onde era o supermercado acanharam-se todos e la me explicaram.

A noite achei que devia mas e desmistificar a fama do bairro e voltei para casa de metro; o que implica 10 min a pe da estacao para casa.
Nao aconteceu nada, nao vi bruxas mas, nao tive medo nem senti que devia ter tido. Acho que até me habituaria depressa a viver aqui.

O problema e que isto fica e nos confins desta cidade... E para alem disso, se quiser sair do estudio antes de fevereiro (o que vai provavelmente acontecer por causa do outro estagio) tenho que pagar um balurdio de dinheiro!
Por isso mudei o contrato e fico até ao fim deste mes e depois rua.

Tenho portanto 1 mes para arranjar outro sitio. Tenho cà varios amigos, por isso nao vou ficar na rua se correr mal. Aiai; espero que a minha sorte com apartementos nao esteja a acabar, qu'agora e que eu preciso dela.

Não sei se foi da emoçong, da assistência a dizer "mais pá esquerda, inclina...", ou do saltame alto que já me estava a dar dores, mas, no Palazzo Ducale, domingo passado, nem sabia como segurar no canudo.


Ficou esta rica figura, para mais tarde recordar.

E agora, adeus Veneza, olá Bruxelas

Boa tarde, era:

- uma dose de Ameijoas à Bulhão Pato, com pão caseiro para o molho, na costa da Caparica, ao pôr-do-sol;

- uma Francesinha do Capa Negra II;

- uma dose de Arroz de tamboril de Porto Brandão;

- uma mega tosta mista do bar ao pé do Xafarix, que jà não me lembro como é que se chama (porão das freiras, ou cova dos frades ou qualquer coisa do género)

Obrigada.


E pensar que há exactamente dois anos estava ali...


NINGUÉM ME LIGA!!

Sou importante

Desde que participei na Summer School para futuros lideres europeus, as funcionarias da Embaixada de Portugal em Berlim assediaram o meu telemovel umas quantas vezes.

Primeiro era para pedir desculpa por ninguem da Embaixada ter podido ir à recepcao organizada pela summer school, depois queriam a minha morada, depois era o meu telefone e no outro dia, estava eu em Estugarda, foi uma mensagem a dizer que o Senhor Embaixador que me queria dar uma palavrita.

A cena linda é que hoje peguei no telefone, liguei, atenderam e eu disse: "Estou sim, bom dia fala Filipa Guinote ..."

e fui interrompida: "Ah sim, como está Senhora Doutoura? Deixámos-lhe uma mensagem etc..."

Nao é lindo?

O fim da historia so sera conhecido no fim de Setembro, porque sucede o Senhor Embaixador estar de férias em Portugal, depois vou eu para lá, por isso tenho que lhe ligar quando voltar a Berlim para saber o que raio é que o jovem tem para me dizer.

Resultados da caça ao apartamento em Bruxelas

Email n.1:

"Bonjour, voilà je dois encore vérifier si j'ai quelque chose encore pendant ce mois là, je vérifierai et je vous tiens au courant d'ici cette semaine. A bientot"


Email n.2:

"En faite, j'ai eu déjà quelqu'un jusqu'en septembre si vous etes interessant pour octobre c'est parfait. Merci pour votre message. Alors il faut voir commencer on va s'arranger ou avez-vous trouvé l'annonce et a quel prix c'etait? (...). Il faut quand même un acompte comme quoi vous etes interessez sinon desole il faut quand meme une preuve de contrat pour etre sur et vous laissez passer. Si j'ai rien comme preuve alors il y a rien qui as dit que vous allez prendre la chambre. voilà. Pour l'acompte vous auriez mon addresse, mon numero de telephone, mon numero de compte et tout et comme ça vous pourrez toujours porter plaindre en Belgique c'est bien autoriser voilà. Bien à vous."


E eu que pensava que ia viver num país onde se fala Francês...

Agosto em Berlim

Eh pá, estão 11 graus centígrados em Berlim e chove desalmadamente. O apartamento não tem aquecimento, porque a caldeira central não funciona no Verão.

Tipo... como se houvesse Verão.

Na Têvê

Ontem apareci na têvê!!! Fui assistir a um talk show feito por um amigo nosso.

Não percebi tudo, mas parece que as pessoas aqui estão preocupadas com o facto da futura chancelerina, a i-Angela, usar tailleurs côr-de-pêssego que é do pior que há - tá a ver? - e suar que nem uma desalmada o que mostra no mínimo hypersensibilidade hormonal e no pior dos casos oh! horror: STRESS.
Seja como fôr, nervos ou hormonas, diz que a jovem não inspira muita confiança a este povo.

Será uma fêmea capaz de ser chanceléria? Eis a questão.

Estrangeiros fora!

Ontem assisti a uma apresentação de um projecto artístico completamente maluco.

Foi realizado em Viena, há 9 anos, aquando do episódio Haider. Intitulava-se:
"Estrangeiros fora!"

Consistia no seguinte:
- um par de contentores (como aquele que me serviu de casa em Timor) parcados em frente ao teatro no meio da cidade.
- uma enorme bandeirola a dizer "Estrangeiros fora!"
- um pequeno grupo de refugiados a viver nos contentores o equivalente de um Big Brother: câmaras 24h/dia, votos do público para os expulsar um a um. O vencedor ganhava o direito de ficar na Austria.

A experiência teve como resultado que:
- um grupo de turistas japoneses, ao fotografar a instalação, ia morrendo de indignação quando uma alma caridosa lhes traduziu o slogan da bandeirola...
- uma mulher foi manifestar sozinha todo o santo dia para a frente da instalação berrando: "estrangeiros dentro!". O que, no contexto da Austria dos mid-90s, é no mínimo hilariante.

Pelo que eu percebi, o vencedor ganhou um casamento com uma austríaca, mas a dita fugiu não sei para aonde.


Tendo em conta que aqueles refugiados provavelmente tiveram uma vida difícil antes de chegarem àqueles contentores, o facto de lhes terem posto a vida literalmente "em jogo" chocou-me bastante. Mas a instalação, só por si, não é nada. As reacções dos veraneantes é que construiram realmente um sentido.

Mas talvez seja isso, arte.

Palavras úteis


Na minha escola de Alemão, as minhas coleguinhas têm todas canetas como esta. Escrevem a violeta e deitam perfume. Trazem uma régua a condizer.

Na minha escola de Alemão, as minhas coleguinhas têm todas 14-16 anos.

Talvez por essa razão achem tanta piada ao texto de ontem, onde um senhor entalou a tola no volante do carro (não me perguntem como) e a vizinha teve de o "cremar" todo com um unguento qualquer para o desentalar.

Ao menos aprendi que "cremar" em Alemão diz-se "einkremmen".

Dá sempre jeito saber.

Alemanha profunda

Após ter-me visto livre dos futuros líderes da Europa, numa festa despedida que foi the best derivado ao facto de ter sido organizada por mim, porque me calhou a fava na tiragem à sorte,

Rumámos, o Príncipe e eu, para Sul.

Porque Sul = Sol (até aqui...),
Porque Sul = as raízes do Prínicipe (onde aprendeu a gatinhar, a falar, a andar...),

Lá fomos.

Primeira paragem: Estugarda, capital do estado de Baden-Wüttemberg. Tal como para o prínicipe, Estugarda é o berço da Mercedes e do Shiller, o que faz uma combinação fascinante de antigo e moderno, de romantismo e futurismo. Muito giro.
Ele é parque, ele é floresta, fonte, rio, que uma pessoa nem sabe para onde é que se há-de virar. Quanto às pessoas, quando não estão ao volante de um Mercedes, estão a comer bretzels (sim, não há pão, há bretzels) ou a passear no meio das árvores.

Segunda paragem: Appenzell. Aí fomos tanto para Sul que chegámos à Suiça! Ai Jesus, mais um bocado e tamos em Africa.
Roubámos o carro do rei (o pai do prínicipe, claro) e ala. Foi é tudo debaixo de chuva, porque este Sul é um Sul muito relativo. Vi vacas e queijo e mais vacas e mais queijo e escalei um montanha de 200 m que me ia destruindo as coxas.

Terceira paragem: Freiburg. Tornámos ao Norte e reentrámos na Alemanha, na profunda floresta negra. Muito gira a terra onde o Príncipe estudou. Tivemos a oportunidade de assistir a uma típica "festa da vila".
Então é assim: tal como os Portugueses aquando da eleição de Guterres já lá vão 10 anos, os Alemães apreciam muito fogo de artifício ao som de Van Gelis (é assim que se escreve?). A diferença é que em vez de cheiro a frango assado e a sardinhas, o fogo de artifício, aqui, aprecia-se por detrás do fumo da genuina, da inconfundível, da maravilhosa, da bela da WURST. Com jola e bretzel a acompanhar, claro, mas isso não cheira nem deita fumo.

Por isso, tirando a tendência para passar a vida no meio das árvores porque o ar é puro ou lá o que é, os Alemães não são bichos estranhos. E têm um país muito jeitoso.

Pós-parto

Para fugir à depressão pós-parto causada por meses de gestação e comunhão genética com a/o Tese, refugiei-me numa "Summer School" aqui em Berlim.

Começou no domingo, dia do nascimento da/o Tese e tem-me mantido muito atarefada jesus, que chego a casa às 11h da noite que já quase nem vejo o meu homem nem nada, valha-me deus.

É sobre politica externa e política de defesa Europeia. É organizado por um diz que muito reputado German Council of Foreign Affairs, que fica ali do outro lado do raio desta cidade, num fim de mundo onde não há nem um café, nem uma farmácia que até me passei aquando da recepção de abertura porque fiquei com bolhas nos pés das sandálias janotas e queria uns pensos rápidos mas é o querias...

Sim, porque ali é tudo de fato e gravata e sandaleca de salto da moda, que isto não é campismo, é uma summer school e nós somos os futuros leaders da Europa, dizem eles e eu rio-me.

A única coisa que tenho em comum com os outros 29 jovens é que, a certa altura da minha vida, pousei o meu rabote nos confortaveis bancos de uma das seguintes universidades:

- Columbia
- Oxford
- London School of Economics
- Sciences Po
- Collège d'Europe
- Cambridge

Para além, claro, de ser uma futura leader Europeia.

Os seminários são muito interessantes, excepto os que têm a ver com a Comissão Europeia, que, a sério não tou a gozar, adormecem toda, mas toda a gente (calha mal, porque em Outubro lá vou eu não é verdade...).
O resto: a Europa e a NATO, a Europa e os USA, a Europa e a China, a Europa e a Turquia é muito interessante, penso eu de que.

O bom lado da coisa também é que a comida a bem dizer é mesmo boa. Temos sempre ali um buffet à maneira, regado a Riesling que é uma maravilha.É sempre a enfardar.
Temos também visitas a Berlim, naqueles barcos para turistas, que eu nunca tinha ido e até achei giro.

Já não posso mais com o intercâmbio cultural com Suecos, Espanhóis, Libaneses, Pakistaneses mas olha, mais vale isso que a depre pós-parto e sempre se aprende qualquer coisita e pode ser que, daqui a uma semana e meia, quando isto acabar, chore baba e ranho por vê-los partir ser liderar outras paragens.

Nessa altura, o príncipe pegará em mim e levar-me-à para o sul, para a floresta negra abancar em casa dos papás durante uma semana, onde, espero a comida seja igualmente boa e tenha Riesling a acompanhar.

Se não, uma bretzel com graines de pavot também me satisfaz.


NASCIMENTO


O meu bébé nasceu no domingo passado às 16h da tarde. Pesa 90 páginas e chama-se Tese. Ainda não percebi se é macho ou se é fêmea.

Tem um pequeno defeito na página dos agradecimentos que escapou aos últimos retoques da mãe natureza, mas não faz mal. Dá-lhe um ar assim piroseco, mas até tem piada.

Em Setembro poderão vê-lo/a ao vivo e a cores.

A sentença final





By resorting to private military firms, the State may well be a client, but it remains a State.




Estou grávida

Da tese, claro.
Nascerá dentro de três dias, aproximadamente.
Ops... Phenomeno...
Mas pensando bem, está correcto: a última vez que escrevi uma palavra na 1ª página da tese, fenómeno escrevia-se com "ph"
The privatisation of military services is not a new phenomenon.

O que não é um novo phenomeno é esta frase no ecran do meu computador.
Estou a ter a angústia da página-que-não-passa-da-primeira-frase.

A minha padaria


A minha padaria fica mesmo na porta ao lado do meu prédio.

É um sítio mágico. O Croissant é a 35 cêntimos de herói, a Bretzel com graines de pavot (o príncipe também se ri da confusão linguística que vai por aqui) é a 45 cêntimos.

Trabalham noite e dia, que até nos passamos quando chegamos tarde e está um cheiro a pão quente e a bolos na escada e em casa só temos legumes e frutos eeuurgh.

Estranhamente, é a única padaria que não faliu, aqui no bairro.

Qual o segredo desta padaria?

Desde o ano passado tenho vindo a desenvolver uma teoria segundo a qual a padaria não passa de uma pequena empresa criada para encobrir actividades menos lícitas dos donos.
Com efeito, desde quando é que, nos dias que correm, se pode ter tanta prosperidade com croissants a 35 cêntimos?; desde quando é que padeiros ouvem heavy metal, guiam motas gigantescas, vestem-se de couro preto, têm tatuagens medonhas nos braços e piercings em toda a cara?

Um enigma.

Mas a resposta está aqui: é o estilo.

Nesta padaria os metaleiros são pessoas encantadoras, não assustam as criancinhas e duvido que participem em rituais satânicos. O death metal a bombar no meio dos pães dá um toque original às manhãs de toda a gente aqui do bairro. O som é alto, é feio, sim, mas os senhores padeiros - o filho, o pai e a mãe, que isto é uma empresa familiar - curtem aquilo à séria.

Com a pressão da clientela cada vez mais numerosa, a metal family lá teve que contratar uma empregada. A dita cuja tem, que eu contei, 5 brincos na orelha direita, trancinhas tipo africana no cabelo, toda vestida de preto com calças que parecem collants e botas da tropa.
E também é uma jóia de rapariga.
Bem haja o metal pão.



Apaixonei-me


No outro dia aventurei-me sozinha com a minha bicla para além das fronteiras de Prenzlauer Berg (o nosso bairro).
Pedalei pedalei pedalei, pelo asfalto, pelos passeios, pelo meio das pessoas... aqui, acreditem, não há regras para as biclas.
Pedalei, pedalei, pedalei, comi mosquitos, flores, folhas, mas estava a gostar.
Até que
Naufrago na Alexander Platz.
Imaginem a praça Marquês de Pombal + Place de l'Etoile + Place de la Concorde todas juntas num rectangulo com 10 avenidas Stalinistas, de 1 Km de largura, que é para os tanques desfilarem à vontade.

E esta torre ali mesmo à minha frente. Imponente, incontornável, elegante.
Buuum.

Rendi-me a esta cidade.

Domingueiros Berlinenses



Ontem estavam 30 graus, então o Príncipe e eu fomos à praia.

A praia em Berlim é isto:

1) apanha-se sol à vontade, livremente naquilo que há 16 anos era um "no-man's land" entre os Muros de Leste e de Oeste;
2) contrariamente a Paris, há espaço para rebolar na areia caso apeteça;
3) as casas de banho são limpinhas e não há filas à porta;
4) a música é um espectaculo e não dá muito alto;
5) as pessoas conversam baixinho umas com as outras;
6) não há Coca-Cola, há Afrikola;
7) não há Limonade, há Bionade;
8) E vê-se o pôr do sol por detrás da Fernsehturm.

Certos sítios em Berlim parecem bocados de Paraíso. Não sei como é que eles fazem, mas tudo é agradável, simples, limpo, calmo, saudável.
Ninguém discute, ninguém diz palavrões, ninguém assedia as meninas em domingo solitário, os bébés exploram as redundezas livremente e se se espetam, levantam-se e continuam sem chorar, os casais gay mostram afecto como todos os outros casais sem que niguém, mas ninguém, à volta olhe para eles com um ar crítico ou de gozo.

Pode não ser assim no resto da Alemanha, mas em Berlim os seres humanos atingiram um grau de sofisticação, beleza e humanidade que não vi em mais lado nenhum até agora.

Esta é a 1ª página do livro que alegrou a minha infância:

Barbapapa.

Retrata o nascimento de Barbapapa.

Só agora é que reparei o quão porno isto é. Atentem na imagem:
A terra abre-se como o colo de um útero!
E aquele senhor ali com um regador muita grande? azze azze
Só o passarinho é que não sei. Se calhar é o médico, que é o que eu preciso depois de ter escrito este post.

Drooling auntie


Tenho saudades desta coisa boa!

O meu frigorífico, esse Twingo

O meu frigorífico (que não é meu, é do príncipe, mas como agora temos que dizer tudo na forma colectiva, demos à propriedade uma dimensão subjetiva) é como o Twingo.

Lembram-se do Twingo? Esse caro mínimo onde cabem, segundo o Carlos Cruz (ou lá quem apresentava o concurso que eu já não me lembro) 20 adultos bem enlatadinhos e até se ganha 1 milhão de escudos num cheque muita grande com letra bonita prá câmara da TV.

Pronto,

No meu frigo cabem 30 talhadas de melancia dispostas em pratos e pirexes, sobre uma pequena quantidade de Vodka.

A cena é que não vou ganhar nem carro, nem um milhão de escudos com esta proeza.

Só uma enorme dor de cabeça quando acordar amanhã depois do barbecue onde vamos esta noite.

Maasmemories



Acho que vou ter saudades de ver senhoras de idade, saia e tailleur, cabelo arranjado, mala pendurada no ante-braço, costas direitas (porque o guidon é tão alto) a pedalar que nem umas malucas nas suas biclas.

Acho que vou ter saudades de ouvir "astublieft" (pronunciar aaaachhh tublift = fáchavor),

Acho que vou ter saudades que uma transeunte me explique que desde a semana passada não é permitido estacionar bicicletas na rua comercial, mas que ali atrás construiram um parking especial onde a posso deixar à vontade, pois porque com este calor dá mesmo vontade andar é a pé pelo centro, não é como no inverno que se quer é pedalar depressa para um sítio quente,

Acho que vou ter saudades que a feirante (sim a feirante meia-idade gordita, rosadita, de avental) do mercado me pergunte se prefiro falar em Inglês, Francês ou Alemão, que para ela tanto dá,

Acho que vou ter saudades do condutor do autocarro parar em frente a uma passadeira e convidar os peões a atravessarem com o gesto de quem convida alguém a entrar num palácio com tapete vermelho à frente,

Acho que vou ter saudades dos peões agradecerem ao condutor do autocarro com um energético polegar para cima,

Acho que vou ter saudades dos meninos de pullover rosa bébé, dos sapatinhos de vela, dos polos de raguebi, de "kip curry", de "frites speciaal", de "frikandel", do Falstaff, da Anouk a dar nos bares, do Albert Heijn, do Easygoing...

Acho que
no fundo
no fundo
no fundo

Vou ter saudades de Maistriste.
O Menno tinha um ar tranquilo.

E o meu ego ta tao inchado que e melhor nao escrever mais.



Já enchi as prateleiras da cozinha de chocolates e comida não Bio.

Já espalhei pelo chão cantos de folhas de papel que enrolo e rasgo compulsivamente quando estou concentrada a ler.

Já parti um copo.

Já colei fotografias de amigas, amigos e familiares divertidos em paredes que, até então, só suportavam singelos posters do Rothko, que, para o Príncipe são do mais colorido que há.

Já espalhei por todo o lado ganchinhos que uso para tirar a franja da frente dos olhos, mas que acabam sempre por desaparecer. O que vale é que se vendem em pacotes de 20, por isso tenho sempre um fundo consequente para substituir os que se perdem.

Já mudei a disposição dos móveis na sala.

E agora,

Monopolizei a caixa de correio.


A minha mana Mary mandou-me um muita ganda pacote, que o prínicpe até ficou todo baralhado porque só recebe envelopes fininhos e jornais, o que é uma seca. Mas não, não era para ele.


E no ganda pacote vinha:

UMA VARINHA MÁGICA
Vinha partida, mas cumpriu a sua função porque, magicamente, me senti finalmente em casa.
São tantos os que foram com as aves neste últimos dias.
A Alemanha é um pais "retro".
Há um autêntico fascínio por coisas dos anos 70 e 80.
As lojas de decoração estão cheias de lâmpadas côr-de-laranja, sofás castanhos, mesas com tampos de vidro, armários brancos etc...

Mas a grande cena é que, aqui, hoje, em 2005, pude saborear um genuino

CAPRISONNE

Aquele sumo que vem numa embalagem de prata toda mole, e ao espetar-se a palhinha sai sempre tudo porque é impossivel não apertar a dita embalagem.

Sabem?
Lembram-se?

Ai, fiquei tão feliz!
20,036 palavras

Du bist so wunderbar, Berlin!

Em Berlim, toda a gente anda com p lado direito das calças alçado.
Tipo pescador.
Sem medo.
Sem vergonha.
A mostrar a meia branca e o pelo e a pele lívida.

Adivinhem porquê.

Estou diagonada



Estou diagonada.
O conceito de estar diagonada vem da Chute, que é o meu livro preferido a seguir à Lolita e ao Barbapapa va au Zoo, onde o Camus descreve um intrumento de tortura que era uma caixa onde uma pessoa só cabia em diagonal, nem sentada nem de pé.

Eu nem me sento en frente à tese, nem me ponho a andar a pé por Berlim, porque tenho que tentar sentar-me em frente à tese.

Tão a ver?

Desmilagre



Com um rápido Puf, desmilagrei a minha tese.

Resolvi reinventar um Capítulo IV que será, possivelmente, o Capítulo I na versão final.

Resultado: tenho 2 semanas para lhe dar à luz e para fazer as revisões no resto antes de mandar tudo ao Menno, dói-me o cérebro, dóiem-me os olhos, dóiem-me as costas, tenho frio, tenho fome e o príncipe nunca mais chega.

Quero um prato de Cerelac, quero Nestum, quero um leitinho com chocolate, quero um leitinho com mel, quero uma sopinha toda passadinha sem bocados de legumes grandes, quero puré com ovos e fiambre, quero bife com batatas fritas e molho, quero a minha mãe, Buááááá!

Milagre




Acabei de perceber que posso fazer milagres sem problemas nenhuns:

De repente, hoje, PUF!

Dei por mim a atacar a introdução da tese, que é sinónimo de: está mesmo mesmo no fim.
Tudo isto por ter simplesmente decidido suprimir o último capítulo e transformá-lo numa coherente e interessante conclusão.

É tão fácil! De um momento para o outro a enorme montanha transformou-se em rato. E tá no papo.

O Menno ainda não sabe do milagre, é verdade, mas tenho a certeza que quando souber não vai estrebuchar, que ele é amigo.

E com tudo isto, amigos, tenho 19,000 das 20,000 palavras exigidas, e dois meses até ao prazo de entrega.

O que eu comi no outro dia que me pôs tão feliz:

PÁPÁPÁPA
PÁPÁPÁPA

PÁPÁPÁPA
PÁPÁPÁPA

PÁPÁPÁPÁPÁ PÁ
PÁPÁPÁPÁPÁ PÁ

CÉ RÉ LAC
CÉ RÉ LAC

De volta ao Belóguio

Por esta altura já devo ter perdido a audiência, mas olha... Andei atarefada.

Antes de mais, tenho a dizer que não há pachorra para os Franceses. Nomeadamente para os de Esquerda, nos quais inlcuo muitas das minhas amigas.
Este "Não" à Constituição Europeia foi motivado pelas mesmíssimas razões que levaram o Le Pen à segunda volta das Presidenciais de 2002. É sempre a mesma conversa da anti-mundialização, do anti-liberalismo, e a rejeição sistemática de uma esquerda governamental, institucional. Em França, o progresso social parece ser da competência exclusiva dos "Anti". Até mete aflição.

Tal como Jospin não foi social que chegasse, a Carta dos Direitos Fundamentais, o artigo sobre o pleno emprego também não lhes chegaram.
Tal como em 2002 ficaram com o Chirac por mais 5 anos que até se passaram, hoje ficámos todos com a Europa do Tratado de Nice, que é do mais social que há.


Passando à frente, estou muito bem instalada aqui em Berlim. Finalmente, temos uma vida normal, sem idas-e-voltas, sem telefonemas, mas com o mesmo prazer em estar juntos.
Tenho uma nova bicicleta que é uma jóia linda de morrer, embora seja velhota. Estão a ver que vou continuar com os bons hábitos Venezianos e Holandeses.

Estou também a adquirir novos bons hábitos, tais como:
- comprar legumes e fruta no mercado e não no supermercado
- comer legumes e fruta
- não atravessar as ruas fora das passadeiras e esperar pelo sinal verde, mesmo que não haja um único carro num raio de 2 km e sobretudo se houver uma criancinha por perto, que é para não dar mau exemplo e não levar com o olhar fulminador da mãe da criancinha
- não lavar a roupa branca com lixívia, que tal coisa tão poluente não se vende neste país
- separar 15,0000 tipos de lixo para sacos diferentes

Pelo seu lado o Príncipe está a adquirir maus hábitos, tais como:
- jantar carne depois das 9h da noite e não saladinha e pão por volta das 8h
- usar amaciador para a roupa, que polui, mas a roupa fica melhorzinha tem paciência
- atravessar a rua com o sinal vermelho quando eu estou do outro lado, para eu não pensar que ele é demasiado Alemão (se houver uma criancinha por perto, os bons hábitos mantêm-se, claro...)

Adquiriu também novas tarefas, coitado, tais como:
- Pôr o lixo deixado em cima do balcão da cozinha no saco certo, que há coisas que a Princesa não sabe mesmo onde pôr (é o "doubt gargage")
- Tirar dois rolos de papel higiénico lá de cima, que a Princesa não chega lá nem com uma cadeira
- traduzir o mundo constantemente para Inglês ou Português

UNHCR segundo António Guterres

Um
Novo
Homem
Comprometido a
Retirar-se


É o que é António Guterres, tendo em conta os seus antecedentes domesticos, o estado do orçamento da ACNUR e o número de refugiados que tem a braços.

Palavras traumatizantes

Da mesma maneira que há uns anos atrás andei atormentada com a definição de "carinho" (situação que alguns de vocês perceberão claramente e os outros poderão facilmente imaginar) nestes últimos tempos andei apoquentada com a definição de "fine".

Achava que "fine" em Inglês queria dizer "é... não tá mau de todo, tá ok, nada a dizer, acho que sim".
Assim uma coisa sem sal nenhum.
Mas descobri que para além de querer dizer efectivamente isso, quer também dizer coisas mais fixes como "elegante", "raffiné", "puro", "superior à média".

Não sei qual foi o sentido que o Menno deu à coisa na carta de recomendação, mas ao menos posso sonhar que foi o segundo e não o primeiro. E assim durmo descansada.
Paul Ricoeur fez-se Alma.


Fauna nocturna na igreja de Maistriste

Na quarta-feira foi a festa de fim de ano da escolinha das minhas housemates. Eu mais a iAna pensámos bora là checkar a cena.

Os Maistristinhos são umas criaturas do Demo. Transformaram uma igreja (cruz credo) em disco night!
É assim:
O Altar é um bar.
À frente está uma enorme cruz suspensa, iluminada com lâmpadas amarelas.
Dos dois lados da nave há santinhos todos enfeitados com luzinhas.
Ao fundo, no sítio do orgão, está a mesa de misturas do DJ (Disque Joca).

Este espaço está populado de chavalecos aos pupulos, histéricos com o fim do ano escolar.
Há os que andam à bulha para mostrar virilidade, mas que acabam por dar encontrões às meninas de maneira que estragam tudo;
Há os que não resistem à jola a 1.70€ e ficam desgraçados para o resto da noite,

E há...

Os inenarráveis,
Os indescritíveis,

Betos.

Os Betos da Holanda federam-se em clubes. Toda a gente pertence a um clube. Quem não pertence a um clube é uma ganda bosta.
Pertencer a um clube, para além de reproduzir as condições ideais de temperature e pressão para uma lobotomia bem feita, implica o seguinte:
- passa-se por praxes que não lembra a ninguém e que não vou descrever aqui por que não é para a vossa idade;
- veste-se a mesma coisa que o resto dos membros, isto é:
Modelo 1: sapatinho de vela, calça de ganga, T-shirt branca e pólo de rugby azul por cima com a gola virada para cima.
Modelo 2: sapatinho de vela, calça de ganga, T-shirt branca e camisola côr de laranja enrolada à cintura abaixo da anca, mesmo onde começa o rabote.
Modelo 3: sapatinho de vela, calça de ganga, T-shirt branca e camisola côr de laranja posta assim à tira-colo a passar por cima do ombro esquerdo, com as mangas atadas por baixo do sovaco direito que fica muito janota.
Modelo 4: sapatinho de senhora preto, meia de vidro, saia pelo joelho preta, camisinha branca com a gola para cima, blaser preto com uma linha vermelha e verde, lencinho côr de laranja ao pescoço e um pendente que nem eu nem a Ana percebemos o que era, mas que parecia um cinzeiro e que pendia por uma fita verde e vermelha. Em suma: hospedeiras da TAP Air Portugal ao vosso serviço.

QUE

CENA.

É o que eu vos digo.

Plim!

A minha mais recente ideia reza assim:

E se eu fosse para o Sri Lanka proteger os direitos humanos das crianças, e o príncipe protegê-las das minas anti-pessoais?

Essa é que era essa.

Queixinhas

As minhas housemates deixaram a loiça suja em cima do balcão da cozinha, só para não tirarem a loiça lavada da máquina.

As minhas housemantes, quando lavam os dentes, deixam restos de pasta dentrífica no lavatório e salpicam o espelho.

As minhas housemates, quando acaba o rolo de papel higiénico, começam outro novo, mas não o colocam no sítio do antigo, pousam-no em cima do autoclismo.

"As minhas housemates" não inclui a Ana.

Blogueio

Tou com um bloqueio na tese. O meu cérebro sofreu um curto-circuito e está sem reacções.
Derivado a isto, occorreu também um blogueio, como ja deverão ter-se apercebido.

Maistriste está a chover o tempo todo. As nuvens são tão escuras que fica noite às 13h.


QUERO SOL (carago)!!!!


Ao menos, antes de morrer, o meu cérebro descobriu que hà uma lógica nas declinações em Alemão e que no fundo só tenho que saber declinar os artigos definidos (der-die-das-die, den-die-das-die, dem-der-dem-den etc...) para saber as declinações dos artigos indefinidos e dos adjectivos, porque é só transpôr a última letra do artigo definido.

Tão a ver?

Montar a bicicleta

Aqui, em Maistriste e na Holanda em geral, as gajas montam as bicicletas, como se monta a cavalo.

E assim:
- poem-se do lado esquerdo da bicla
- pousam o pe esquerdo no pedal
- dao balanco com o pe direito no chao
- e saltam pa cima do selim.

A cena linda e que em vez de saltarem para o selim/sela alcando a perna para tras, encolhem a perna um bocadinho para a frente e pumba, rabo sentado. E por isso que as biclas de mulher nao teem aquela trave horizontal entre o selim e o guidon.

Tao a ver?

O Príncipe e os Portugueses

O Público anunciou o seguinte:

"Português escolhido para liderar projecto Galileo"
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1222209&idCanal=13


O meu Príncipe está realmente condenado a lidar com Lusos.

Pensamento do Dia

Està a chover là fora e não posso ir brincar.

A tese, esse Adamastor

«Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca d' outrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando ũa noute, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Ũa nuvem que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.»

A tese

Derivado à pressão aplicada pela equipa que está a fazer o livro do ano, o título da minha tese teve que ficar assim:

"Private Military Firms and the State: Sharing Responsibility for Violations of Human Rights and Humanitarian Law"

O Menno diz que tem "punch".
Eu digo que ele deve ter andado a dar no ponche para achar piada a isto.
Ao que parece, os outros eram muito anti-americanos e tiravam objectividade ao trabalho. Oh pá mas eram muita giros: "Outsourcing violence, outsourcing responsibility?" ou "Piercing the Government Veil". Não eram mais "punchy"? Eu acho.
Fôôgo, o Menno tambãem!...

Quando chove dinheiro sobre mim

Acabaram de me cair 150$ do céu.
Um email de uma jovem que trabalha num centro de estudos estratégicos qualquer a pedir a tradução de um documento de 2.5 páginas para Português. É sobre naves espaciais e pôr os pés na Lua e isso.

Agora só preciso de descobrir como é que se diz "low-earth orbit" em Português, para passar da primeira linha.

O fim de semana e mais além

Este fim de semana esteve Verão aqui em Maistriste.
30 graus!
Ai que os bifes holandeses até se passaram da tola e hoje andavam as chavalas todas de saia curta e xanatos a mostrar a bela da perna vermelhusca à frente ou atrás (alternativamente), consoante a posição de leitura escolhida no parque.

No sábado foi os anos da Rainha, que é os anos de reino e não os anos dela própria, não é verdade. Desta vez foram 25. Estava tudo na rua, vestido de laranja com coroas insufláveis na cabeça. Diz que em Amesterdong foi a loucura. Aqui em Maistriste foi mais provincial e provinciano, com festival pirotécnico (ou fogo de artifício) e tudo.

A minha bicla tem um novo selim. Eis uma das vantagens de ter o príncipe por perto.
Estou muito contente.

Também estou muito contente porque, feitas as últimas combinações com o Menno, e ao fim de um ano e meio de idas-e-voltas, providenciei finalmente um bilhete de ida simples para Berlim (de ida simples de Maistriste, que é aind melhor). Vai ser dia 26 de Maio. Meu deus que cena, ainda nem acredito.

O Menno tinha um ar tranquilo

11h da manhã (vá lá, não 08:45)

entro no gabinete do Menno tremendo, consciente de que o "Chapter I on State responsibility" que tenho na mão, já o Menno o leu e o riscou todo e que vou ter de recomeçar tudo porque sou uma merda, as minhas frases são muito longas; o meu raciocinio é tortuoso ao ponto de se tornar incompreensível e, convenhamos, irrelevante; e onde é que está escrito que a "due diligence" se aplica a actos cometidos fora do território, minha burra?

"Gooooood morrrrning"
diz o Menno com um ar tranquilo e sorridente.

Ai que até me assustei. Jasus homem, axandra-te p'la tua saúde.

E não é que o Chapter I não tinha quase riscos nenhuns, que as notas de roda pé estão bem, que o Inglês está bem, que devia só fazer mais paragrafos; que devia fazer referência a Abu Ghraib na primeira parte; à Colombia na segunda; que tenho que escrever uma curta introdução antes das Convenções de Genebra a explicar o scope of application e os conflictos internacionais e dizer que o Iraque é um conflicto internacional; falar do Tadic Case depois do Nicaragua Case; explicar porque é que acho que o artigo 11 da convenção sobre responsabilidade dos Estados é irrelevante pró que nos interessa; dizer explicitamente que a cena da extraterritorialidade não está escrita em lado nenhum, mas que não sou lunática porque há elementos que o indicam; dar o exemplo das convenções sobre corrupção; não misturar com os casos Ingleses que mudaram a concepção de "forum non conveniens" porque isso tem a ver com a reponsabilidade da empresa e não do Estado; que devo continuar a escrever assim que está bem, pôr-me a milhas de Maastricht se me apetecer; mandar-lhe os 3 capítulos restantes a16 de Junho, vir a Maastricht a 23, e mandar-lhe um email se precisar de uma carta de recomendação para a caça ao emprego.

LIN DO. Sabem o que é lin do? É lindo.
O Menno dá-me cabo da tola, mas é tão eficaz... Xiça!
Doi-me a tola, chavalos.

Mein Leben in Berlin

EH PA EH PA EH PA
TOU TAO CONTENTE!!

Ganda cena xavalos e xavalas, acabei o primeiro capitulo da minha tese. 17 lindas paginas, que serao trucidadas pelo Menno assim que lhes puser as maos em cima, que eu ja sei, mas nao faz mal.
A cena e uma ganda cena porque esta sol aqui em Berlim por isso vou desbundar o jornal para um parque enquanto o Principe nao sai do servico. Pois e, estava tao bem aqui que resolvi nao por os pes em Maistriste esta semana. Volto so na segunda que vem.

Na terca feira passada estavamos a degustar um boleco e um chazinho na varanda la de casa (a de Berlim, nao a de Maistriste) e comecamos a ouvir delingue delongues a dar com um pau. E eu, olha passaram-se.
Foi entao que nos alembramos, se calhar ja habemus papam.
Tu queres ver...
Ligo o radio e ouvimos "tem 78 anos..."
E pronto, ta tudo perdido.
"Que desgraca" diz o Principe de maos a cabeca. "Agora ja nao nos vao dar um posto permanente no conselho de seguranca da ONU! Ja temos o proximo Mundial de futebol, um papa. Acabaram-se as prendas"
Para alem disso o jovem e um jovem reaccionario como raio. O papa e um papao.

Como era um momento historico, eu disse xavalo bora la para maior igreja desta cidade para ver a Historia ao vivo. Primeiro, foi uma carga de trabalhos para ele decidir qual seria a igreja. E eu, atao, a igreja em frente ao coreto onde os velhotes jogam a sueca, ao pe da praca do mercado.
Nao. Nao consta tal coisa em Berlim.
La decidimos ir para o bairro chamado "Mitte" que quer dizer "Centro". Chegamos a uma igreja e...
Nada, niente, nepia. So meia duzia de jornalistas a fazer perguntas as poucas pessoas que resolveram comemorar com ostia e vinhaca em companhia do padre de servico.
E a cena linda foi ver o Principe a fugir dali a sete pes quando lhe vieram perguntar se ele estava contente. Mais um bocado dizia que nao falava Alemao. O que eu gargalhei.
Dizem que a cena estava a passar-se em Munique, que e onde o Bento XVI estava empregado antes de abalar para o Vaticano.
E o que da estes Estados Federais... Esta-se na capital, mas nao quer dizer nada. E como estar noutro pais.

Por isso, lamento nao ter nada a dizer daqui do terreno...
Habemus Papao

O Dalai Lama cheira mal da boca

Fiz um teste de personalidade recomendado pelo Dalai Lama e fiquei muito desapontada...

Aparentemente...

1/ As minhas prioridades na vida sao: 1) orgulho, 2) familia 3) dinheiro 4) amor 5) carreira.
Permitam-me dizer que se sou orgulhosa, entao a carreira nao sera a minha ultima prioridade de certeza.

2/ Eu sou simpatica, o Hendrik e egoista, os meus enimigos sao sujos, sexo e bom, e minha vida e grande.
Com todo o respeito que tenho pelo Sr. Dalai, o Principe pode ser tudo, mas tudo menos egoista. O resto esta correcto.

3/ A Joana Estrela e uma pessoa que nunca esquecer, o Hendrik e uma pessoa de quem me vou lembrar para o resto da vida, a minha mae e uma verdadeira amiga, o meu pai e alguem quem eu realmente amo, e o meu irmao Pedro e a minha alma gemea.
Dava para fazer uma rica analise freudiana da amizade pela mae e do amor pelo pai, mas nem me vou dar ao trabalho porque o Freud e sempre a mesma treta e porque amo-os a todos muito muito (mas talvez ao Principe um bocadinho mais...)

Vou mandar o teste para todos e depois espero os resultados
Tchauzao e um ganda queijo!
Agora vou comer chocolate.

aarrrggghhhh! (horror!)

Acham que ele agora não vai mais suportar a companhia de uma Princesa tão horrivelmente nova?

Riinnng! (pergunta)

Acham que se ele declarar não querer sequer lembrar-se do quão incrivelmente velho é, eu conservo os meus deveres de namorada, e também Princesa, tais como fazer um bolo e comprar uma prenda e tudo?

Ou acham que um beijinho e "Parabéns, mas não penses nisso" já chega?

Plim! (ideia)

O que era tha best é que ele ficasse deprimido com a passagem a trintão e não quizesse celebrar nada de nada.

Apelo a sugestões

O meu namorado, e também Príncipe, vai fazer 30 anos e não sei o que lhe hei-de oferecer.

Tinha tido uma ideia creativa, mas já não tenho tempo de a concretizar, por isso aceitam-se sugestões váláver fachavore.

Dank U val!

Sou uma cigana Parte II

O meu creme hidratante é Italiano.

Sou uma cigana

A minha pasta de dentes é Holandesa.

O meu líquido de limpeza das lentes é Francês.

O meu bloco de notas é Alemão.

E eu sou Portuguesa.

A minha sentença

Actus Reus:
A ré, Filas Guinote, com pressa para apanhar o comboio para Utrecht (UUUUtrrrrerrrrt ou O Traque) - onde ia ter com a Sofia para irem as duas a Haia ver o Slobo Milo a dar cabo doa juízes e onde há um monte de cafés giros e animados mas isso é irrelevante para o caso -, resolve deixar a sua novissima (embora de terceira ou quarta mão) bicicleta preta com autocolantes encarnados e brancos a dizer "love" estacionada atrás da estação Maastrrrirrrt Centraaaal.
O cadeado verde maravilha era um bom cadeado mas tinha custado só 6€ o que deixa a desejar em termos de resistência ao alicate.

Filas Guinote sabia-o.

A estação é uma boa estação, mas como todas as estações tem junkies à volta e está escura e deserta a partir da meia-noite excepto em dias de lua cheia, em que há um pouco de luz lunar, mas em que os lobishomens também andam à solta, por isso não é muito melhor.

Filas Guinote sabia-o pois, segundo as declarações prestadas por Ana Patrícia, uma amiga e agora também house mate, tinha-se andado a queixar até à exaustão do perigo que era passar pela estação sozinha a altas horas da manhã.

Ao voltar de Haia, Filas dirige-se ao local de estacionamento da bike e... qué dela? A bicla tinha desaparecido.

Embora a mão com o alicate seja a principal responsavel pelo desaparecimento forçado da dita Bicla e embora se Filas Guinote a apanhasse partia-lhe a cara toda com razão,
Filas Guinote é responsavel pelo acontecido embora não com a mesma intenção criminal.

Mens rea:
Filas Guinote é responsavel por imprudência.

Recklessness, ou imprudência, define-se, diz aqui o diccionário de direito, como segue:

Recklessness is the third category of mens rea. The term recklessness describes the state of mind of the person who, doing an act, is aware of a risk that a particular consequence is likely to result. Awareness of a risk is the essence of recklessness.

Filas Guinote sabia do risco que corria em deixar a Love Bike na estação uma noite inteira e decidiu correr esse risco.

Por isso agora aguente-se com os 50€ que teve que dar por uma segunda bicla que é feia comó raio e tem os pneus muito fininhos.

AAALELUIA IRMÃOS!

Tipo, não vão acreditar:

The involvement of military contractors in human rights abuses, such as the ones committed at Abu Ghraib prison in Iraq, raises important questions regarding the position of non-State actors within a traditionally State-oriented international legal system.

Ei-la: a primeira frase do primeiro capitulo da minha tese!!!!!!!
Tou tã contente. Safa!

No fundo, não demorou assim tanto tempo: foi mais rápido que levar o Papa a enterrar, dado que ele, probezito, já estava um bocado morto há anos.

A Historia a morrer

Ja repararam que estamos a testemunhar tantas mortes historicas!

Foi o Arafat. Paz a sua alma.
Foi a irma Lucia. Paz a sua alma.
E agora o Papa. Paz a sua alma.

So falta o Fidel Castro. Paz ao seu pais.

Descobertas

Eh pa sabem o que descobri no outro dia?

Em Holandes:
R
pronuncia-se
Rrrr

G
pronuncia-se
Rrrr

e...

CH
pronuncia-se
Rrrr.

Ate aqui tudo bem.
Fica tudo mal e quando tem que dizer o nome da paragem de bus que fica mesmo ao pe da minha casa, que e:
Scharnerweg.
E assim: SSrrrrrarrrnerrrwerrrr

E uma lingua maravilhosa, esta. Uma coisa linda, assim suave e limpida.


Descobri outra coisa ontem:
A Belgica tem 3 linguas oficiais! Eu nao sabia. Pensava que eram so duas. Mas como voces sao mais informados que eu, nem vou dizer quais sao as linguas porque nao vale a pena.

Descobri o seguinte hoje de manha:
O projecto de me tornar mulher com saltos altos, maquilhagem e tal e complexo e dificil. A Ana poe uma base que faz a pele mais bronzeada. Fica mesmo giro e discreto por isso eu disse tambem quero xavala. Ela ensinou-me (e com uma esponja e depois com um po). Mas agora dei conta que me estao a aparecer borbulhas na cara. Nao ta a dar com nada.

Que dilema, ai Jesus.
Se deixar a base ja nao pareco tao mulher, mas se continuar arrisco-me a tornar-me adolescente outra vez. Por isso opto pelo look feminimo ou pelo look adulto? Nao pareco conseguir conciliar os dois razparta.

Saga matinal do Capítulo IV

Eh pá, o Meno passou-se da tola.

Mandei-lhe um email olá já acabei o plano da tese, quando é que nos podemos encontrar para mo mudares todo outra vez?

Não sei vocês, mas eu, pessoalmente, abro para negócio das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 19:00. Sim, porque tem que se dormir e comer um bocadinho também, não é?

Vai o jovem e marca-me uma reunião para as:
08:45 da manhã!
É ilegal. Acho eu.

Mas pronto, apesar do sono, a reunião correu bem. Ele não mudou muitas coisas e assegurou-me que, se não me dispersar, vou parir uma jóia de uma tese.
Acho que estou a conseguir domar a besta. Toda a gente me avisou que ele às vezes era demasiado directo nas críticas e que é muito exigente e que quer fazer tudo à maneira dele e tal.
Mas eu já lhe disse: mudo o que tu quizeres, jovem; mas não tiro o capítulo IV.

Há sempre aquela maneira diplomática de falar com os profs onde não se diz "não percebeste um boi do que eu quiz dizer", diz-se "talvez não me tenha exprimido bem".

Com este Meno a frase diplomática tem que vir acompanhada de uma frasezita mais bruta.
Então é assim:

- tirar o capitulo IV (olhar pensativo)
- (tom sério) Acho que temos um problema...

(sorriso)

- (tom educado) Talvez não esteja muito claro aqui no plano, mas este capítulo é essencial porque...

(olhos nos olhos que eu não tenho medo de ti)

- isto, isto e isto."


A ver se o gajo não acabou por gostar do capítulo IV.
Apre!
Não tivera ele às vezes ideias tão brilhantes e não estivesse o meu plano muito melhor depois das suas intervenções, não o poderia já ver à frente nem pintadinho.

Sem título porque me apetece

Este fim de semana estive em Amesterdão com mais umas pessoas do mestrado para assistirmos ao festival de cinema de direitos humanos da Amnistia Internacional.

Foi muito interessante e deu muito que pensar, nomeadamente na ideia de ir trabalhar para sítios onde se está constantemente em contacto com a morte sem se poder fazer nada.
Sim porque há mortes e mortes. Estas que vi nos documentários eram mortes contra as quais seria técnicamente possível fazer alguma coisa. Só que não é "logisticamente" possível fazê-lo.
Tem estado a dar-me muito que pensar, mas as intuições são tão contraditórias que ainda não cheguei a uma conclusão. Por enquanto só decidi não para de responder a anúncios de trabalho para esses sítios.

Por falar nisso, vão ler aqui o que a minha amiga Sofia - que é jornalista e que ganhou o prémio de direitos humanos da Assembleia, este ano - escreveu sobre a excisão feminina na Guiné e em Portugal:
http://dossiers.publico.pt/dossier.asp?id=967

Com alguns dias de atraso

Com alguns dias de atraso, acho que se impõe um comentário sobre a indiciação do primeiro ministro do Kosovo pelo Tribunal internacional para a ex-Jugoslavia.

Ser-se primeiro ministro do Kosovo é ao mesmo tempo nada e muito.
Nada, porque é-se primeiro ministro de umas ilustres "Provisional Institutions for Self-Government" o que deve querer dizer, mais coisa menos coisa, "Instituições Provisórias de Auto-governo". É-se provisório - não permanente -, e dirige-se uma política de auto-governo, num território onde os selos têm o emblema da ONU, os enderços postais acabam com a sigla "UNMIK" e a minoria Servia - ex-maioria - não aparece nas sessões parlamentares desde Outubro do ano passado.
Muito, porque as Nações Unidas vão apresentar este Verão os resultados de uma avaliação da situação no Kosovo, para ver se os famosos "standards" estão preenchidos e se é possível avançar-se para a fase da discussão sobre o "status" internacional do território. Como tal, o primeiro ministro, enquanto dirigente eleito, estaria à frente das negociações que, como todos sabem mas poucos dizem, conduzirão à independência do Kosovo.

Problema: pelo que vimos e ouvimos de parte de várias pessoas quando estivemos no Kosovo:
- há uma confiança generalizada no primeiro ministro (que era um dos mais altos comandantes do exercito de libertação do Kosovo)
- há uma reticência generalizada, na população local, em comparar os crimes cometidos pelos Sérvios contra os Albaneses aos crimes cometidos pelos Albaneses contra os Sérvios.

Questão: Como será interpretada a indiciação de um Albanês pelo tribunal que está a julgar o Milosevic?

Para o tribunal é, com certeza, um sinal de isenção que tanto faz falta a este tipo de instituições.
Poder-se-à aliás questionar se a necessidade de isenção é tão urgente que justifique esta indiciação num momento em que o Kosovo reviveu tensões internas (relembre-se os eventos de Março de 2004) e se prepara para entrar na recta final da independência.

Mas pronto.

Para o Kosovo poderá ser um desastre caso haja retaliações ao encontro dos poucos Sérvios que ainda lá vivem.
Poderá também ser uma autêntica autoestrada para a independência se:
- não houver retaliações
- o governo provisório colaborar com o tribunal
- se emergir uma certa maturidade política que tire o Kosovo do estado de denegação patologico em que se encontra.

Mas esperança. Relembremos que a luta no Kosovo levou practicamente três anos a radicalizar-se.
Em 1989:
- quando lhe foi retirado o estatuto de autonomia garantido pela Constituição Jugoslava,
- quando o ensino do Albanês começou a ter de ser practicado no silêncio de casas particulares ao abrigo de olhares vizinhos,
- quando a quase totalidade dos empregados públicos Albaneses perderam o emprego...
... Os Albaneses do Kosovo não queriam "independência e morte aos Sérvios", mas apenas o restabelecimento do estatuto de região autonomia. Mesmo ao ver as républicas vizinhas a aceder à independência com a aprovação mais (Alemanha) ou menos (França) expedita do resto do mundo.
Tenham eles a mesma calma desta vez.

Cordas e ramos secos

O assassinato de Aslan Mashkadov mete-me nojo.

Leiam os textos do André Glucksman (vejam o Le Monde de 10/03/2005).
E sobretudo leiam os livros da Anna Politovskaia, uma jornalista russa que arrisca a vida com palavras.

Já o silêncio geral em relação à Tchetchénia era vergonhoso.
Na Tchetchénia, aldeões são regularmente amarrados uns contra os outros com cordas, como ramos secos.
Com uma bomba no meio.
Que a certa altura explode levando com ela esses homens, velhos, novos, e essas mulheres, velhas, novas.
Pouco importa.

Sem Aslan Mashkadov a Tchetchénia está entregue a extremistas que reforçam o sonho putiniano de ter uma guerra contra o terrorismo em sua própria casa. De fazer derogações aos mais fundamentais direitos individuais e colectivos cobrindo-se com o manto imundo da segurança nacional. Há gente para quem o caos e o sangue são prioridades.

Talvez uma corda à volta deles - presidentes, como dirigentes extremistas - e uma bomba no meio fosse uma boa solução, não fora isso reproduzir os actos desprezíveis dessa gente. E não fora isso fazê-los morrer da mesma maneira que tanta gente a quem seria imoral compará-los.

Por isso reproduzo-os não em actos mas em pensamento, com algumas variantes, correndo o risco que algum serviço secreto leia este blogue e me ponha numa qualquer lista de pessoas más por terem feito ou dito não se sabe ao certo quê.
E terei o maior orgulho em lá estar.

Em passant pareuh Maastrichteuh avec mes sabots

Se quizerem vir visitar-me a Maistriste e assim:

Apanham o comboio de qualquer sitio civilizado ate "MAASTRICHT Centraal Station";
Saiem do quimboio;
Saiem da Centraal Station e vao ver uma data de paragens de autocarro mesmo le em frente;
Especam-se la e esperam
Quando chegar o No. 3, 4, 5, 6, 10, 22, 23 ou 25
Acenam e gesticulam freneticamente para o Sr. condutor (...por favor, ponha o pe no acelarador, se chocar, nao faz mal, vamos todos pro hospital...)
Se tudo correr bem o Sr. Condutor (...por favor, ponha o pe.....) para a vossa frente.
Entram e dizem "Oranjeplein" (Orrrranniiieuhplaiin)
Ele saca de umas tiritas e mete um carimbo na segunda.
Digam "Dank U val" (Dank como tanque mas com D; U como o u frances ou acoreano como preferirem; e Val como vale ou que vale, vale postal etc...)
O tocarro comeca a andar
Hao-de passar debaixo de um tunel e depois e ai.
Saiem e seguem pela mesma estrada que o autocarro, em frente.
(e perguntam: mas porque e que saimos em Oranjeplein se o tocarro continua pelo mesmo caminho que nos? Porque se ficarem mais 1 paragem pagam nao 2 mas 3 tirinhas o que equivale a 2.60 herois o que e uma roubalheira, mas se quizerem por mim tudo bem a carteira e vossa)
Cuidado com o passeio porque parece que e um passeio mas nao, e para bicicletas, por isso ponham-se a pau que eu no outro dia ia la ficando
atravessam o enorme cruzamento e seguem em frente
ao vosso lado esquerdo estara o Albert Heijn com o litro de leite a 20 herois.
mais a frente estara uma coffee shop, como poderao constatar pelo cheiro herbal
continuam
a vossa direita estara o Al Greco que vende Shashlik, Gyros, Friture e Couscous e que, com certeza estara aberto a sugestoes de bacalhau a braz e rojoes.
Opois olharao com curiosidade para uma janela iluminada mas de portadas fechadas que, segundo o principe e um bordel, segundo mim nao sei o que e, por isso ficou bordel por exaustao de alternativas
Opois vao ver o clube de video 3 DVD por 5 herois
chegam a uma rotunda
e metem pela rua a esquerda
e e ja ai no numero 65.
DELINGUE DELONGUE

Agora ja nao podem dizer que e complicado.

Meno my man!

Acabei de ter uma reuniao com o meu orientador (podem saber tudo sobre ele em
http://www.rechten.unimaas.nl/mic/staff/kamminga.html).


Ora bem, o jovem, que e um jovem cinco estrelas embora me tenha mudado o plano todo razpartohomem mas tambem nao faz mal porque a ideia - que e minha - continua la de pedra e cal e planos posso fazer quantos ele quizer assim em cadeia, toooommmma.
O jovem, estava eu a dizer, chama-se:

Menno


Vai dai que eu estava um pouco desconcentrada a falar com o dito porque, a bem dizer, nao tenho aqui Guronsan (que nesta terra se deve dizer "Rrrurronnnnsan") e ainda me doi a cabeca por causa da festa de anos atrasada que as minhas colocatarias organizaram ontem la em casa, que meteu um liquido alcoolizado azul que sabia a laranja e me fez muito, mas muito mal.

Mas fez pior `a Ana, tenho a dizer.
(Ai jesus o que da viver com chavalitas de 20 anos...)


E vai dai que ao ler o nome dele na capa de um livro, em cima da secretaria, veio-me a cabeca o seguinte:

De segunda a sexta feira
O Meno trabalhava na obra
Mas quando subia ao palco
Tinha genica de sobra...

Ao pegar no microfone
Às vezes dava-lhe umas ginadas
Até parecia um Rolling Stone
Aquelas Levis tão coçadas

Refrão:
A gente vai em digressão
Pra tocar em qualquer lado
Recinto aberto ou fechado
No salão dos voluntários
Ano novo ou S.João
A gente vai em digressão
Na Digressão...uouououououououoh!!

Aposto que reconheceram os inesqueciveis Mingos & os Samurais e o Rui Veloso que lhes deu alma.
E que para mim, havera sempre um so Meno - o que trabalha na obra.
Por isso o que e que eu faco com este?

Condolencias ao Mundo


Acabei de ler o seguinte no site da BBC (http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/middle_east/4309927.stm):

"When you think about what Syria is doing in Lebanon - you have Lebanese in the streets telling the Syrians to go home so that Lebanon can control its own future," she said.


"she" e nem mais nem menos do que a inenarravel Condoleezza Rice.


Esta aqui uma pessoa a esmifrar-se para tentar elaborar um plano de tese logico, coherente e interessante e o resto do mundo ouve pessoas como ela dizer este tipo de coisas e leva-as a serio.
A minha raiva neste momento atingiu um pico tal que, se a tivesse a mao, juro, mas juro, que partia-lhe a cara toda.



Sabem o que eu digo?

"When you think about what the United States is doing in Iraq - you have Iraqis in the streets telling the Americans to go home so that Iraq can control its own future"


Ai a minha vida!

São quase 10 da noite e ainda estou na biblioteca.
Entrei às 9h da manhã.
Não consegui ainda acabar o plano da tese que tenho que entregar amanhã.

Só posso ter sido lobotomizada com a passagem aos 24 anos.

Mi vueto

Después de una reflexión larga,

Maria Filipa Crispim Rebielo Guinuete

decide votar:



al tratado sobre la futura Constitución Europea.

O meu voto



Apos intensa reflexao,

Solidaria, nao obstante, com os elementos da familia que votarem Bloco de Esquerda,

Maria Filipa Crispim Rebelo Guinote decide excepcionalmente

votar:




Partido Socialista.



Aceitam-se comentarios sobre esta decisao.

Platao e Maastricht

Ainda nao vos falei do sistema PBL.
- Problem
- Based
- Learning
Entao e assim. Entra-se na sala de aula e as mesas estao dispostas em circulo. Numa delas esta uma jovem que parece menos jovem que os outros que e a tutora.
A tutora trata-nos pelo primeiro nome (esquece la o "Mademoiselle Guinote" que isso nao importa nada para aqui e ainda bem.)
A tutora vem de calcas de ganga e botas de alpinismo.
Nos nao tratamos a tutora pelo primeiro nome.
Nos vimos de calcas de ganga, mas sem botas de alpinismo porque ha limites para a falta de estilo indumentario.

A aula comeca.
Um dos jovens que parecem mesmo jovens comeca a falar.
E eu, olha este passou-se.
Mas nao... E que ha sempre um cromo que... preparou a aula, estao a ver?
Entao o dito cujo vai e diz:
- Filipa qual e a tua opiniao em relacao a proteccao basica oferecida pelo artigo 75 do protocolo 1 das Convencoes de Genebra aos nao combatentes detidos durante um conflicto?
Eu, ainda a folhear paginas a procura do Protocolo 1, la gaguejo:
- Proteccao basica... Parece-me bem, porque toda a gente devia ter um minimo de proteccao, nao e? E esse o espirito das convencoes de Genebra, nao e?
E a tutora com entusiasmo e empenho:
- Muito bem! Pensem na logica por detras do texto.
E um chavalo qualquer vai e pergunta:
- Mas entao um soldado que comete crimes de guerra e e preso tem mais proteccao que um coitado de um civil que pegou em armas so porque o soldado tem autorizacao para pegar em armas e o civil nao?
E o cromo de servico:
- Boa pergunta. Porque nao tentas comecar a responde-la, Sr. chavalo qualquer?
E a tutora com o mesmo empenho e entusiasmo:
- Sim, boa maneira de lancar o debate!
E segue-se um debate que as tantas se transforma numa enorme confusao mental porque ninguem sabe do que e que esta a falar e o espirito das Convencoes e simpatico mas varia com o espirito de cada um, de maneira que e uma salsalhada tal que imploramos a tutora para abrir a boca e dizer aquilo que - convenhamos - esta a ser paga - e nos nao - para dizer: a resposta certa.
Mas qual qu^e!
Ela vai e do alto das suas botas de alpinismo comeca a fazer uns rabiscos no quadro e a fazer-nos ainda mais perguntas e nos a respondermos mais ou menos ao calhas e ela a perguntar mais e nos a respondermos mais e ela a perguntar ainda mais e nos a respondermos anda mais e ela a perguntar outra vez ainda mais e nos a respondermos outra vez ainda mais....
E!
Sim!
Finalmente!
O sabedoria divina!
Damos a luz o Protocolo e as Convencoes de que estavamos todos, coitadinhos, emprenhados ate ao pescoco.

Platao, A Apologia de Socrates, Maastricht University Press (Maastrrrirrrrt Univerrrrrsity Prrrrress), 2005.