A quatro dias do fim de mais uma temporada em sítios duvidosos, impõe-se uma retrospectiva.
Hoje: o pior do Afeganistão...

Eu de véu... Nada a fazer, pareço um piriquito.
Cabul, a cidade do caos, do barulho e da violência:

As dormidas em tendas, numa cama de campanha, na base militar alemã de Termez/Uzbequistão. E a humilhação de não conseguir voltar a meter o saco-cama dentro do respectivo saco (e esta é a tenda VIP...)

Os inenarráveis casamentos rosa-azul-sintético-extensões de cabelo e maquilhagem Bollywood

O sufoco do túnel de Salang, a única via que liga Cabul ao Norte do país. 5Km de túnel escuro, sem ventilação, com a via toda esburacada e cheio, mas cheio de trânsito onde só não se espatifa o carro porque se segue atentamente os faróis do carro a 1.5 m à frente e, fundamentalmente, porque se tem muita sorte.

E mais uns quantos momentos para os quais, felizmente, não há fotos:
- Ratos na gaveta dos talheres
- 3 ataques de morteiro demasiado perto do H
- O serviço de segurança da GTZ e os seus arrepiantes sms (alerta a possível suicida a circular num Toyota Corolla branco - ninguém saia à rua")
- Incríveis acrónimos que se tornam parte do vocabulário quotidiano:
VBIED: Vehicle-Bourne Improvised Explosive Device (um carro-bomba)
BBIED: Bycicle-Bourne Improvised Explosive Device (uma bicicleta-bomba)
DBIED: Donkey-Bourne Improvised Explosive Device (um burro-bomba... ó sim, também há desses)