Entrevista fotográfica

O Süddeutsche Zeitung é uma instituição do jornalismo Alemão. As sextas-feiras, o jornal vem com uma revista pela qual o H espera com grande excitação: o que estará na primeira página? que diabruras terá o Luis feito na última página? E mais importante, quem fez a entrevista fotográfica? A entrevista fotográfica, na página 4, consiste em 5 ou 6 perguntas às quais o entrevistado responde por gestos, capturados numa fotografia.

Ontem fizemos a experiência, H entrevistando F:

Viveste em Nova Iorque há uns meses, o que achaste?




















Mas a tua cidade preferida sempre foi Paris, ainda é?




















Uma noite com o George Clooney?...




















Ok... e como é que olharias para ele?




















Mudando de assunto, vais para o Afeganistão em breve; se tivesses que usar uma burqa usavas?




















Estás a pensar trabalhar para o Ziviler Friedensdienst (Serviço Civil de Paz), acreditas que se possa resolver conflitos pelo diálogo?




















Vais trabalhar com mulheres, o que achas da Angela Merkel?

TV Morrinho

Continuando o programa brazileiro deste fim de semana, assistimos ontem a um episódio da TV Morrinho ao vivo. A TV Morrinho é o projecto de uns chavalitos do Rio, que contruiram uma réplica da favela com tijolos e bonecos feitos de peças de lego e filmam histórias do quotidiano da favela. E tão famoso o projecto, que o grupo faz mostras na Europa e fundou uma ONG (ongue como eles dizem) que organiza tours para turistas no Rio. Muito engraçado!

Cristiane

Um dos fenómenos da vida de casado é que deixa-se de se sair à noite.

Por sair à noite entenda-se, não o jantar fora, nem o cinema às 8 da noite, nem as ocasionais jolas no bar da esquina de ténis e T-shirt ranhosa até à meia-noite - não vá a bina transformar-se em abóbora.

Por sair à noite entenda-se brilhantes na pele, rimmel, khôl, gloss, sapatinho da moda e calça de cintura descaída. Entenda-se tomar-se café às 11h da noite, seguir-se para os copos para aquecer num bar e só por volta das 2h da manhã pensar-se, eh pá isto se calhar já se ia para a disco. Entenda-se fazer-se fila para entrar, levar-se com um carimbo no pulso, ser-se empurrado e tocado por gente desconhecida - por favor diz-me que este alpalpão foste tu, marido... - no meio de um caos de decibéis e luzes que se não nos fazem explodir o cérebro, fazem-nos cambalear de tontura e atacar com confiança a selva que é o bar e batalhar para ganhar a atenção da/do barmaid/man - zwei vodka-tonic bitte. Entenda-se deshidratação extrema derivada das quantidades de alcool consumidas, o sol a nascer, a batata frita ou o kebab consumidos à ida para casa sem qualquer razão fisiológica, o vizinho a passear o cão na rua para a primeira urina do dia, o cair-se na cama exausto e o acordar ainda levemente ébrio a pensar: água, guronsan, café.

Ontem à noite, provando que lá por sermos casados não quer dizer que sejamos lólózinhos, o H e eu atacámos o Weekend Club, no 12 e 15 andar do prédio da Sharp em frente à torre da TV, na Alexander Platz. Fomos inspirados pelo anúncio de uma dupla de DJs Brazileira e foi um abuso de energia e de riso, ao ritmo de hip-hop Brazuca saído directamente das festa na favela da Cidade de Deus (meu nome é Zé Pequeno):

Vem critiane... Vem cristiane... Vem cristiane...
Fica comigo assim descontrolada

Ai eu puxo o teu cabelo
e você diz pra mim não para

Me puxa, me agarre, faz o que quizer,

Me morde, me arranhe você é minha mulher...


A mãe do H chama-se Christiane.

Regressão

Lembro-me que um dos maiores marcos da minha passagem à idade adulta foi ter de marcar eu própria consultas no dentista. Antes, ia por pressão materna: A mãe marcava a consulta, a mãe enfiava-me no carro e a mãe arrastava-me para o consultório. Quando me mudei para Paris, tive que o fazer voluntariamente. Fi-lo graças a uma força sobre-humana pouco aquém - estou certa - da que me permitirá um dia expulsar 50 cm de criança útero a baixo. O Dr. Chan do centro médico da rue Vaugirard elevou-se ao estatuto de herói quando me arrancou três dentes do cizo com uma mera anestesia local 24h após a qual estava fina - pá isto não dói nada. Depois começou a vida caótica, com mudanças de três em três meses e residências em sítios onde por razões médicas era desaconselhado pensar a ir a um dentista, e cobertura médica por seguro privado que não reembolsava consultas de rotina. E regredi à infância. Não pus o dente num dentista , salvo seja, durante anos. Agora estou aqui em Berlim, tenho uma segurança social normal, mas a força sobre-humana não voltou e aqui não há Dr. Chan, de maneira que fui ao dentista arrastada pelo H. A razão oficial é a de evitar perder-me em translação com o Dr. Heinz (ou sei-là como é que o homem se chama), mas a verdade é que em vez de pressão materna, funciono agora com pressão matrimonial.

A questão é: qual o melhor estilo

Assim acho um bocado de mais, não?
Assim é melhor...
Não, non, nein, nope, nem pensar

Este não é mau, mas não vejo muita diferença em relação ao Al-Amira.
Ou assim mais inovativo, estilo J-Lo/vendedora de peixe?

9 de Maio já lá vai!

Em total sintonia com uma tal alfacinha, também eu me sentei numa mesinha ridicula, numa sala do estádio do Arsenal em Londres, com as minhas canetas, uma garrafa de água, e um desesperadamente pequeno livro de leis que se fosse maior não me teria obrigado a decorar mais de cem nomes de casos (Doyle v Olby - recovery of loss flowing from the whole transaction in fraudulent misrepresentation; Ex p Coughlan - legitimate expectation arising from promise; Hunter v Canary Wharf - proprietary interest in land required for standing in private nuisance claim...)

Sobrevivi tort law, contract law e constitutional law - que, num país sem constituição escrita, é de uma pessoa se deitar para o chão a rir. Resolvi 9 casos, com um total de 44 partes a quem aconteceu o diabo a quatro: um ginásio comprado com base em informação fraudulenta, uma cantora de ópera que insistia em incomdar os vizinhos à noite, uma senhora que prometeu vender um fato a outra senhora e entretanto o vendeu a uma terceira senhora, um Afegão detido e interrogado violentamente numa base militar Inglesa...

E por falar em Afeganistão: estamos de partida para lá no fim de Junho. A vida continua!