Vicarious post-traumatic stress disorder

Há os morreram, claro.
E há os que escaparam à morte
E os que pensaram que iam morrer

E há os que ajudaram os que escaparam
E os que acolhem os que ajudaram os que escaparam.

O H chegou são e salvo a Mazar.

White city

As tres da tarde de hoje, recebemos ordem de ir para casa imediatamente. Kabul entrou em modo "white city" - tudo fechado em casa, nem um nariz na rua. Precaucao por causa do rumor sobre o rumor que os resultados finais das eleicoes iam ser anunciados hoje e que o Karzai nao ia gostar... Na verdade, estamos todos fartos desta história e só queremos é que os resultados sejam anunciados de uma vez por todas. Cheios de expectativa corremos para casa (hotel) para a frente da BBC para onde a genial Lyse Doucet reporta do telhado do hotel aqui ao lado.
Mas nao. A expectativa esvaiu-se, sugada pelas tecnicalidades deste processo eleitoral Afegao que se estende para lá de qualquer limite da razao e que um dia há-de dar cabo deste país.

Há a ECC (Election Complaints Commission), apoiada pelas Nacoes Unidas, que tinha a responsabilidade de investigar alegacoes de fraude. E há a IEC (Independent Elections Commission) que tem o poder de anunciar os resultados oficiais. E há os porta-vozes dos candidatos que anunciam o que bem lhe apetece.
Entao hoje, a ECC anunciou que tem uma lista de incidentes de fraude comprovados e que a lista foi mandada para a IEC.
Agora a IEC tem que pegar nesses incidentes, identificar quantos votos é estao metidos nessa encrenca e descontar esses votos da contagem incial e anunciar se sim ou nao, pela nossa santa paciencia, o Karzai obteve pelo menos 50% ou nao. Caso sim, habemus presidente, mas tambem habemus revolta no campo Abdullah Abdullah. Caso nao, habemus segunda volta, mas tambem habemus revolta no campo Karzai que está convencido que ganhou a coisa em Agosto.
Entretanto importa mencionar que ninguém está preparado para organizar uma blitz-segunda volta, que as primeiras neves chegaram e que metade do país vai ficar inacessível rapidamente, de maneira que segunda volta, sejamos francos, só em Maio. Sucede que para o ano há também eleicoes legislativas, o que sem dúvida fará de todo este processo assim uma coisa simples com candidatos presidenciais à bulha e jirgas à bulha também.
Até lá, temos o Afeganistao sem presidente, o Obama a insistir: sem presidente nao há mais tropas, e os talibas do Waziristao fartos de levar na cabeca do exercito Paquistanes, a resolverem passar para o lado Afegao porque o caos aqui é maior, dá sempre para plantar mais papoilas e ganhar uns trocos, e com meia dúzia de tropas Americanas no terreno, nao é assim tao difícil avancar.

Em Dezembro vamos embora.

Tapete de guerra

ok, esqueçam o relato do périplo a Madagascar, só me está a bloguear o cérebro e é, neste momento, bastante anacrónico. Sobretudo quando posso falar dos inenarráveis tapetes de guerra Afegãos. A primeira vez que vi um foi num jantar que uma professora minha de sciences po organizou, em 2004, para nos contar as suas aventuras em terras Afegãs por onde paráva, de mês a mês, saltitando entre campos jadis minados, sempre que sciences po lhe dava um breakezito de aulas. Nesse jantar também experimentei ver o mundo via burqa, o que resultou num gigantesco bate cú, dada a imediata sensação de desiquilibrio que causa o dito item.

E hoje, uma lojinha de canto no hotel onde estamos, em Kabul, ofereceu-me esta deliciosa reminiscência - é lindo: o realismo das torres em chamas, o "Septembr" sem o [e], o missil com legenda e tudo e a maravilhosa pomba branca.