Por sair à noite entenda-se, não o jantar fora, nem o cinema às 8 da noite, nem as ocasionais jolas no bar da esquina de ténis e T-shirt ranhosa até à meia-noite - não vá a bina transformar-se em abóbora.
Por sair à noite entenda-se brilhantes na pele, rimmel, khôl, gloss, sapatinho da moda e calça de cintura descaída. Entenda-se tomar-se café às 11h da noite, seguir-se para os copos para aquecer num bar e só por volta das 2h da manhã pensar-se, eh pá isto se calhar já se ia para a disco. Entenda-se fazer-se fila para entrar, levar-se com um carimbo no pulso, ser-se empurrado e tocado por gente desconhecida - por favor diz-me que este alpalpão foste tu, marido... - no meio de um caos de decibéis e luzes que se não nos fazem explodir o cérebro, fazem-nos cambalear de tontura e atacar com confiança a selva que é o bar e batalhar para ganhar a atenção da/do barmaid/man - zwei vodka-tonic bitte. Entenda-se deshidratação extrema derivada das quantidades de alcool consumidas, o sol a nascer, a batata frita ou o kebab consumidos à ida para casa sem qualquer razão fisiológica, o vizinho a passear o cão na rua para a primeira urina do dia, o cair-se na cama exausto e o acordar ainda levemente ébrio a pensar: água, guronsan, café.
Ontem à noite, provando que lá por sermos casados não quer dizer que sejamos lólózinhos, o H e eu atacámos o Weekend Club, no 12 e 15 andar do prédio da Sharp em frente à torre da TV, na Alexander Platz. Fomos inspirados pelo anúncio de uma dupla de DJs Brazileira e foi um abuso de energia e de riso, ao ritmo de hip-hop Brazuca saído directamente das festa na favela da Cidade de Deus (meu nome é Zé Pequeno):
Vem critiane... Vem cristiane... Vem cristiane...
Fica comigo assim descontrolada
Ai eu puxo o teu cabelo
e você diz pra mim não para
Me puxa, me agarre, faz o que quizer,
Me morde, me arranhe você é minha mulher...
A mãe do H chama-se Christiane.
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