A minha padaria


A minha padaria fica mesmo na porta ao lado do meu prédio.

É um sítio mágico. O Croissant é a 35 cêntimos de herói, a Bretzel com graines de pavot (o príncipe também se ri da confusão linguística que vai por aqui) é a 45 cêntimos.

Trabalham noite e dia, que até nos passamos quando chegamos tarde e está um cheiro a pão quente e a bolos na escada e em casa só temos legumes e frutos eeuurgh.

Estranhamente, é a única padaria que não faliu, aqui no bairro.

Qual o segredo desta padaria?

Desde o ano passado tenho vindo a desenvolver uma teoria segundo a qual a padaria não passa de uma pequena empresa criada para encobrir actividades menos lícitas dos donos.
Com efeito, desde quando é que, nos dias que correm, se pode ter tanta prosperidade com croissants a 35 cêntimos?; desde quando é que padeiros ouvem heavy metal, guiam motas gigantescas, vestem-se de couro preto, têm tatuagens medonhas nos braços e piercings em toda a cara?

Um enigma.

Mas a resposta está aqui: é o estilo.

Nesta padaria os metaleiros são pessoas encantadoras, não assustam as criancinhas e duvido que participem em rituais satânicos. O death metal a bombar no meio dos pães dá um toque original às manhãs de toda a gente aqui do bairro. O som é alto, é feio, sim, mas os senhores padeiros - o filho, o pai e a mãe, que isto é uma empresa familiar - curtem aquilo à séria.

Com a pressão da clientela cada vez mais numerosa, a metal family lá teve que contratar uma empregada. A dita cuja tem, que eu contei, 5 brincos na orelha direita, trancinhas tipo africana no cabelo, toda vestida de preto com calças que parecem collants e botas da tropa.
E também é uma jóia de rapariga.
Bem haja o metal pão.



Sem comentários: