11h da manhã (vá lá, não 08:45)
entro no gabinete do Menno tremendo, consciente de que o "Chapter I on State responsibility" que tenho na mão, já o Menno o leu e o riscou todo e que vou ter de recomeçar tudo porque sou uma merda, as minhas frases são muito longas; o meu raciocinio é tortuoso ao ponto de se tornar incompreensível e, convenhamos, irrelevante; e onde é que está escrito que a "due diligence" se aplica a actos cometidos fora do território, minha burra?
"Gooooood morrrrning"
diz o Menno com um ar tranquilo e sorridente.
Ai que até me assustei. Jasus homem, axandra-te p'la tua saúde.
E não é que o Chapter I não tinha quase riscos nenhuns, que as notas de roda pé estão bem, que o Inglês está bem, que devia só fazer mais paragrafos; que devia fazer referência a Abu Ghraib na primeira parte; à Colombia na segunda; que tenho que escrever uma curta introdução antes das Convenções de Genebra a explicar o scope of application e os conflictos internacionais e dizer que o Iraque é um conflicto internacional; falar do Tadic Case depois do Nicaragua Case; explicar porque é que acho que o artigo 11 da convenção sobre responsabilidade dos Estados é irrelevante pró que nos interessa; dizer explicitamente que a cena da extraterritorialidade não está escrita em lado nenhum, mas que não sou lunática porque há elementos que o indicam; dar o exemplo das convenções sobre corrupção; não misturar com os casos Ingleses que mudaram a concepção de "forum non conveniens" porque isso tem a ver com a reponsabilidade da empresa e não do Estado; que devo continuar a escrever assim que está bem, pôr-me a milhas de Maastricht se me apetecer; mandar-lhe os 3 capítulos restantes a16 de Junho, vir a Maastricht a 23, e mandar-lhe um email se precisar de uma carta de recomendação para a caça ao emprego.
LIN DO. Sabem o que é lin do? É lindo.
O Menno dá-me cabo da tola, mas é tão eficaz... Xiça!
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