Direita: direito, reivindicação, nemesis política
Humana: ego, compaixão, imperfeição
O lanche de Natal
Hoje houve lanche de Natal na residencia do Embaixador Alemao. La fomos, nos e as Armenias, que o pessoal da festa ainda nao as tinha conhecido. Mas as minhas filhas... enfim. O Matildame resolveu ter medo daquele pessoal todo e enfiou a cabeca quase que no meu sovaco e de lá nao a tirou a tarde toda. Já a Léa, essa estava em alerta maximo, com aquela cabeca achatadita dela coitadinha a girar de um lado para o outro tipo periscópio a sondar a paisagem. Pensei, bem olha ao menos uma é sociavel. E é. A Léa estava tao à vontade, tao à vontade, tao à vontade que quando o Consul, um senhor já enrtadote de cabeleira branca e vestido a rigor, lhe veio fazer um cutchi-cutchi, ela olha para ele de sorbolho franzido, abre ligeiramente a boca e dá um ruidoso, enorme, gigantesco arroto. Depois riu-se e enfiou o punho na boca, como se nada fosse.
Grande Zach
Anda este video de boca em boca via Facebook e ponho-o tambem aqui. Porque nunca consegui concordar com quem diz que criancas tem de ser educadas por um pai e por uma mae para terem modelos masculinos e femininos (como se tais modelos so se pudessem encontrar num progenitor). E porque nunca consegui perceber quem, embora nao tenha genuinamente nada contra homosexuais, torce o nariz quando toca a homosexuais adoptarem ou terem criancas. Por isso fica aqui a mensagem do Zach, que sabe bem do que esta a falar.
Gulnaz
Nao sei se entre crises e greves alguem em Portugal ouviu falar deste caso, mas isto merece uma valente blogada. E a historia de Gulnaz, uma mulher Afega solteira de 19 anos que foi violada e engravidou. Resultado quando a gravidez comecou a notar-se, Gulnaz foi acusada de "zina" ou adulterio (na Sharia adulterio e ter relacoes sexuais com alguem com quem nao se e casado, independentemente de se ser soi-meme casado ou nao), e foi condenada a 12 anos de prisao. Ela alegou violacao e o homem que a violou foi tambem preso e condenado a 12 anos. E ficaram ambos na prisao, onde ela alias deu a luz o bebe. Nisto ha um abaixo-assinado, uma data de barulho sobre o caso e o dossier acaba na mesa de Hamid Karzai que decide gracia-la. Uma mulher Afega que e condenada por adulterio e graciada nao volta simplesmente para a sua aldeia assim como se nada fosse. Uma mulher nessa situacao corre risco de vida. Entao para garantir a sua seguranca, ela casa-se com o violador e a irma do violador (que nao tem nada a ver com isto) casa-se com o irmao da Gulnaz (que tambem nao tem nada a ver com o caso). E Gulnaz e o seu violador foram libertados.
E o Embaixador da UE em Cabul, Vygaudas Usackas, vem "aplaudir" a libertacao de Gulnaz e dizer que o caso deveria servir de exemplo para todas as outras mulheres Afegas que se encontram em semelhantes embroglios.
Aplaudir? Mas este senhor e maluco da cabeca? Nada neste caso e digno de servir de exemplo. Gulnaz nao deveria ter sido graciada, deveria ter sido absolvida ou melhor ainda a acusacao
deveria ter sido retirada. Depois, deveria ter recebido um pedido de desculpas publico. Depois, deveria ter sido libertada com garantias de seguranca decentes que nao implicassem casamentos que so anunciam futura violencia conjugal. E o violador deveria ter ficado na prisao.
Nada disto e exemplar e Usackas deveria ser chamado a Bruxelas e amordacado.
E o Embaixador da UE em Cabul, Vygaudas Usackas, vem "aplaudir" a libertacao de Gulnaz e dizer que o caso deveria servir de exemplo para todas as outras mulheres Afegas que se encontram em semelhantes embroglios.
Aplaudir? Mas este senhor e maluco da cabeca? Nada neste caso e digno de servir de exemplo. Gulnaz nao deveria ter sido graciada, deveria ter sido absolvida ou melhor ainda a acusacao
deveria ter sido retirada. Depois, deveria ter recebido um pedido de desculpas publico. Depois, deveria ter sido libertada com garantias de seguranca decentes que nao implicassem casamentos que so anunciam futura violencia conjugal. E o violador deveria ter ficado na prisao.Nada disto e exemplar e Usackas deveria ser chamado a Bruxelas e amordacado.
Kigali
Kigali é hoje uma cidade em expansao, cheia de gente dinamica, com grandes ruas alcatroadas e passeios e jardins e paragens de autocarro. Onde os taxi-mota sao conduzidos por jovens em freequests e capacete que carregam tambem um capacete para clientes. E uma cidade que se estende por mais colinas que Lisboa, o que faz com que andar a pé seja nada menos que uma sessao de cardio-fitness. Talvez por ter lido até a exaustao sobre o genocídio no Ruanda, as 24h que passei em Kigali foram das mais intensas que ja vivi. Kigali é cidade-túmulo/cidade-sagrada. O luto e a lembranca estao no ar que se lá respira. A cada passo que dava pensava: quantas pessoas terao morrido neste mesmo sítio? e tentava fazer o passo leve, como que para nao atentar à memória de quem eventualmente ali tivesse caído. O olhar sobre as pessoas também é curioso: é inevitável dividir-se a populacao entre quem era vivo em 1994 e quem nao era. E é inevitável também perguntarmo-nos a nós próprios és-tu vítima ou assassino? E impressionante como é que o Ruanda se refez como país e tem vivido em paz desde 1994, aceitando a existencia de antigos agressores no seu seio (à custa, muitos dirao, de um regime político quase dictatorial). Aqui ficam algumas fotografias de Kigali:
Muro dos nomes no Memorial do Genocídio em Kigali. Notem a repeticao dos apelidos - foram famílias inteiras que desapareceram.
Piscina do Hotel Mille Collines. O hotel ficou aberto durante o genocídio e deu abrigo a milhares de Tutsis e Hutus moderados que, incapazes de sair dali, acabaram por beber a água da piscina para sobreviver (o hotel deu a história ao filme Hotel Ruanda, embora a associacao de sobreviventes do genocídio conteste a veracidade da história, em particular o alegado papel de herói que o administrador do hotel, Paul Rusesabagina, terá tido).
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