Kigali

Kigali é hoje uma cidade em expansao, cheia de gente dinamica, com grandes ruas alcatroadas e passeios e jardins e paragens de autocarro. Onde os taxi-mota sao conduzidos por jovens em freequests e capacete que carregam tambem um capacete para clientes. E uma cidade que se estende por mais colinas que Lisboa, o que faz com que andar a pé seja nada menos que uma sessao de cardio-fitness. Talvez por ter lido até a exaustao sobre o genocídio no Ruanda, as 24h que passei em Kigali foram das mais intensas que ja vivi. Kigali é cidade-túmulo/cidade-sagrada. O luto e a lembranca estao no ar que se lá respira. A cada passo que dava pensava: quantas pessoas terao morrido neste mesmo sítio? e tentava fazer o passo leve, como que para nao atentar à memória de quem eventualmente ali tivesse caído. O olhar sobre as pessoas também é curioso: é inevitável dividir-se a populacao entre quem era vivo em 1994 e quem nao era. E é inevitável também perguntarmo-nos a nós próprios és-tu vítima ou assassino? E impressionante como é que o Ruanda se refez como país e tem vivido em paz desde 1994, aceitando a existencia de antigos agressores no seu seio (à custa, muitos dirao, de um regime político quase dictatorial). Aqui ficam algumas fotografias de Kigali:


Muro dos nomes no Memorial do Genocídio em Kigali. Notem a repeticao dos apelidos - foram famílias inteiras que desapareceram.

Piscina do Hotel Mille Collines. O hotel ficou aberto durante o genocídio e deu abrigo a milhares de Tutsis e Hutus moderados que, incapazes de sair dali, acabaram por beber a água da piscina para sobreviver (o hotel deu a história ao filme Hotel Ruanda, embora a associacao de sobreviventes do genocídio conteste a veracidade da história, em particular o alegado papel de herói que o administrador do hotel, Paul Rusesabagina, terá tido).

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