Tenho falado com os meus colegas por aqui e estou a perceber que ninguém se vai mexer para ir votar.
Ou porque nenhum candidato lhes agrada. São exigentes, bolas, porque há 41!
Ou porque até há um que nem lhes desagrada, mas não vale a pena irem votar porque esse de certeza que não vai ganhar.
Isto num país onde os jornalistas desembaínham microfones em frente ao porta-voz local da UNAMA (missão das Nações Unidas aqui no Afeganistão) e perguntam:
"Boa tarde! que candidato é que a UNAMA apoia?"
Poucos parecem perceber a dinâmica de uma eleição, o peso de um voto. Encaram a eleição como encaram a vida: insignificantes e mudos enquanto indivíduos; alienados sem o vínculo a um grupo forte.
Pela perspectiva dos candidatos a coisa também não é melhor. Não há mensagens nesta campanha presidencial; há símbolos. Não se debate; exibe-se.
Hamid Karzai, por exemplo, já indigitou uma equipa tão patchwork como o país (um de cada étnia e mais houvesse!), à custa nomeadamente de favores legislativos intrigantes como a inenarrável lei que obriga as mulheres casadas de uma certa étnia a terem relações sexuais com os maridos pelo menos 4 vezes por semana.
O Abdullah Abdullah, que é muito famoso aqui no Norte, só aparece em cartazes com o espectro do comandante Massoud, o mítico leão do Panshir que combateu tudo quanto é coisa e foi assassinada uns dias antes do 11 de Setembro) ou a apertar a mão ao Atta, o governador de Balkh (Mazar).
E cada candidato tem um símbolo para ser reconhecido sem equívocos, mesmo por quem não saiba ler. Vejam aqui a lista com as fotos e os símbolos de cada um.
Há o das lanternas, que "ilumina" o país. Há o da pomba e da balança - o Karzai - que grita paz e justiça (e impunidade para os corruptos e direito ao divórcio para as mulheres?). Há o dos presentes (jobs for the boys?). Há o do despertador - acordem gente! Há o dos estetoscópios, que se deve ter enganado na corrida. Há o das duas foices (morte ou comunismo?). Há o dos dois aviões e o dos três aviões (que obssessão). Há aquele que escolheu um foto em vez de um símbolo, e a foto é de uma pomba a andar num relvado - que eu pessoalmente acho um absoluto nojo. Há o inenarrável do cadeado - que não indica nada de bom - e o do machado, que tem cara de poucos amigos, com quem eu, pessoalmente, não me metia.
Mas os melhores símbolos, os mais perturbadores, os mais infelizes, nesta lista hilariante são os das duas candidatas mulheres:
Shahla Ata é uma águia tirada directamente do selo presidencial dos EUA a agarrar na bandeira Afegã. Um símbolo que tem tanto de agressivo como de subserviente.
Frozan Fana é uma maça, que inspira uma só palavra na minha mente: Eva
Enfim...
1 comentário:
Olá!
Com tanta escolha....até podiam acertar!O problema deve ser que não sabem aonde!
Vai-nos esclarecendo sobre essas "mentes" tão diferentes!
Cuida-te e bjs
mlj
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