O miúdo dos pneus

Todas as manhas passo de carro por uma esquina onde estao os vendedores de pneus. Sete e tal da manha e lá estao eles a por a tenda em condicoes para acolher o cliente. Tem 11/12 anos de idade nao mais, olhos achinezados, cara rechonchuda, corpo rechonchudo, cabelo cortado à escovinha - o que nao é habitual aqui, e tradicional combinacao de calcas e tunica comprida - mas a dele é aos quadrados castanhos e pretos e nao branca ou cinzenta ou beje como a dos outros. Todas as manhas lá está ele, sempre atarefado, a rolar pneus arrecadacao a fora, e a tornar a correr lá para dentro para buscar mais, abrindo alas entre os colegas e a mandar vir, com o sobrolho sempre franzido como quem diz é pá estes gajos falam falam falam falam e nao dizem nada, meus amigos eu tou aqui é pra tra-ba-lhar.
Na apatia geral que caracteriza Mazar (estao 40 graus à sombra às sete da manha, minha gente), é o miúdo dos pneus que me acorda e me arranca o primeiro sorriso do dia.

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