Falta-me

Vir de Hotel de Ville e chegar ao rio. Continuar pelos quais e atravessar para o outro lado para chegar a Place Dauphine. Ver o tribunal e pensar um dia vou ser advogada.

Com sorte é Outouno e as árvores são douradas.
Entrar a Norte, sair a Oeste para o Pont Neuf. Neuf, novo ou neuf nove? Um dia, um estranho abriu um caderninho e mostrou-me um poema ali. E depois foi-se embora.
Passar para o outro lado e continuar pelo cais para Oeste. Ver a Academie e subir para a ponte outra vez.

Pont des Arts. Le juge pénitent. La chute. Camus.
E se for de noite, entrar pelo arco do Louvre a dentro, espreitar as esculturas gratuitas pelo vidro e faltar-me o ar quando aparece o átrio, alaranjado da noite e das luzes, com a estranha pirâmide ali.

Falta-me tanto.

18m2 com paredes côr de rosa, prateleiras dentro da parede com espaço para a lista telefónica no chão, mesa de madeira não tratada encostada à parede por ter tripé e não quadrapé. Sentadaàs escuras meia dentro meia fora da varandinha sur cour. Olhar para baixo para o telhado do cinema Champô e ouvir o som abafado de Godard: ao menos é de graça, por isso se me vier o sono não faz mal. Fechar os olhos e adromecer levemente até ouvir ecoar do outro lado da cour, terceiro andar, para este lado da cour, segundo andar por cima de mim:

J'aime bien ta chemise.

É muito difícil descrever a falta que me faz eu-em-Paris. Mesmo que não seja em Paris.

3 comentários:

Mab disse...

Quanta nostalgia te invade...
Mas Paris ficará para sempre marcada como a cidade ideal.

Anónimo disse...

Maninha, sabes que podes vir matar saudades quando quiseres aqui para os lados de Alésia.
Beijinho grande e agasalha-te bem contra a chuva!
mary

Mariana disse...

oi fifi sabes que trabalha comigo a ana patricia valente? que tirou mestrado contigo...que giro...estava lhe a falar de uma amga minha no sudao e saiu me o teu nome...giro nao e...?
bjs