Ataque de esquizofrenia de quinta para sexta-feira

Na sexta-feira passada, acordei no meu novo quarto ao qual ja me habituei, no meu novo colchao feito sobre medida no souq, depois de uma noite que durou ate as 5h da manha em casa de um consul e depois em casa de uns jovens das ONGs. Na primeira, o alcool corria a jorros, na segunda ja nao porque o pessoal das ONGs nao ganha como o Consul nem de longe nem de perto, de maneira que como chegamos tarde, ja todas as garrafas estavam vazias e nao havia mais nada nos armarios.

Levantei-me ainda com a sensacao ligeiramente tonta da vespera a pensar olha no que e que me fui meter ontem, sera que ainda ha pao, espero que a agua nao esteja cortada outra vez que eu tenho mesmo que me lavar olha pra estes pes, que nojo. nunca mais ando de sandalias.

E ouvi o som de um aviao a aterrar no aeroporto que fica ali mesmo ao lado de casa. E entao disparei. Sera a Qatar Airways? Sera O MEU PRINCIPE A CHEGAR A RRARTOUM?

Olho pro relogio, 15.20 ai jesus que deve ser o aviao dele. naoo havia pao, mas nao faz mal. Nao havia agua, mas nao faz mal. Lavei-me a mim e aos mesmo dentes sumariamente com agua engarrafada, comi o arroz de caril que o casalinho suico-britanico - que nao foi ao Consul nem as ONGs e que se levantou cedo - preparou e Yalla Yalla para o Al-Matar (que o arabe para "ala para o aeroporto").

Chego ao Al-Matar e vejo um mar de gente vestida de branco.
Pois e... Sexta-feira, dia do senhor desta gente de ca. E com um voo da Qatar Airways a chegar, nao se esperava outtra coisa: eu era a unica, mas unica branca presente. E a unica, mas a unica mulher com cabelo a mostra.

Bonito. Se eles soubessem o que andei a ingerir ontem linchavam-me ja aqui.
Fingi que era como o casalinho suico-britanico la de casa e, debaixo dos olhares inquisidores, gozadores, observativos dos locais, e debaixo de um sol abrasador que me pos metade da cabeca loira, esperei.

Quando saiu o meu principe pela porta (ah tao bonito que ele ta, cortou o cabelo; iiihh coitadinho de barba por fazer pudera com 24h de viagem em cima; aquelas calcas sao novas, nunca as vi; ganhou um bocadito de barriga mas nao faz mal, e ta lindo anda ca que es meu)

So pude dizer a voz baixa muito depressa "nao nos podemos tocar aqui, nao nos podemos tocar aqui, segue segue para o taxi".

Vejo homens de mao dada na rua o tempo todo, vi maes abracarem avos chegadas do Qatar com toda a energia do mundo, vi genros sorrirem e carregarem malas de noras para o carro. Tudo parecia quase normal...

Mas como sou mulher, o meu principe, o meu homem, que vai ser meu marido nao tarda um nico, nao o posso sequer tocar em publico.
Nem depois de semanas de separacao, do corte de cabelo novo... nada.

Entre a experiencia da vespera e a experiencia desse dia, percebi que os brancos, aqui, estao condenados a esquizofrenia. Especialmente entre 5as e 6as feiras.

3 comentários:

Anónimo disse...

É o que dá seres uma negociadora! Eu começava logo na marmelada :) Nunca ouviste dizer que só se estranha aquilo que não se conhece? Queria lá saber se era sexta! Sagrado é beijar-se o gajo quando já não se o vê há que tempos, melher! O príncipe foi para ficar? Beijos grandes para os dois!

F. disse...

O Principe veio para ficar... 5 semanas, que nao e nada mal!

Comecavas na marmelada e depois ias ver o que te acontecia e quem se ria era aqui o mexilhao!
Mas o taxi foi rapido e debaixo do meu tecto faco o que quero, nao te preocupes!

F. disse...

O Principe veio para ficar... 5 semanas, que nao e nada mal!

Comecavas na marmelada e depois ias ver o que te acontecia e quem se ria era aqui o mexilhao!
Mas o taxi foi rapido e debaixo do meu tecto faco o que quero, nao te preocupes!