Não imaginam o caco em que me tornei

A boa notícia é que a minha voz voltou e que emagreci 3kg. A má notícia é que me reapareceu acne e que estou com um ataque de queda capilar.

Portanto com 2010, passei de gorda muda a borbulhenta careca. É bom.

Reconstruir virgindades

Alguma vez relembraram como foi descobrir uma coisa boa pela primeira vez? Eu ando obcecada com isso - há coisas para as quais gostava muito de readquirir virgindade, sentir outra vez aquele uaaau-que-coisa-espectacular (perceberão com isto que este post não tem portanto nenhum cariz sexual).

Não é nostalgia, não é reaccionarismo, não é melancolia. Não vem de um qualquer sentimento de carência, não penso nisto sentada num canto em posição fetal. Não. Há simplesmente coisas mesmo mesmo mesmo geniais no mundo para as quais deveria haver uma bolha espácio-temporal revolucionando em situação de presente permanente para as (re)descobrirmos constantemente. Assim tipo memória de peixinho dourado.

Não é que já não sinta entusiasmo nenhum ao reviver essas coisas, mas re-viver não é a mesma coisa.
Assim, para já, reivindico novas virgindades para:
- o livro "What is the what" (Que é o quê) de Dave Eggers
- a série "West Wing" (Os homens do Presidente)
- o eriçar dos pelos dos braços com o cheiro de um avião pronto a partir

Afghanistan "Best of"

E hoje, véspera de partida, o melhor deste ano e meio de Afeganistão:

As Burqas-capa-de-super-homem









A impressionante habilidade para o sentar de cócoras dos senhores afegãos









As colinas verdejantes e aldeias abandonadas de Saripul













Tanques soviéticos abandonados e (espero eu) desminados com publicidade a télémóveis
















As inúmeras viagens pelo Norte













A mesquita/mausoléu de Hazrat-e-Ali


















O Mr. Musa

















Elas
















E ele

Afeganistão - " Worst of "

A quatro dias do fim de mais uma temporada em sítios duvidosos, impõe-se uma retrospectiva.

Hoje: o pior do Afeganistão...


Eu de véu... Nada a fazer, pareço um piriquito.














Cabul, a cidade do caos, do barulho e da violência:














As dormidas em tendas, numa cama de campanha, na base militar alemã de Termez/Uzbequistão. E a humilhação de não conseguir voltar a meter o saco-cama dentro do respectivo saco (e esta é a tenda VIP...)














Os inenarráveis casamentos rosa-azul-sintético-extensões de cabelo e maquilhagem Bollywood

O sufoco do túnel de Salang, a única via que liga Cabul ao Norte do país. 5Km de túnel escuro, sem ventilação, com a via toda esburacada e cheio, mas cheio de trânsito onde só não se espatifa o carro porque se segue atentamente os faróis do carro a 1.5 m à frente e, fundamentalmente, porque se tem muita sorte.
















E mais uns quantos momentos para os quais, felizmente, não há fotos:
- Ratos na gaveta dos talheres
- 3 ataques de morteiro demasiado perto do H
- O serviço de segurança da GTZ e os seus arrepiantes sms (alerta a possível suicida a circular num Toyota Corolla branco - ninguém saia à rua")
- Incríveis acrónimos que se tornam parte do vocabulário quotidiano:
VBIED: Vehicle-Bourne Improvised Explosive Device (um carro-bomba)
BBIED: Bycicle-Bourne Improvised Explosive Device (uma bicicleta-bomba)
DBIED: Donkey-Bourne Improvised Explosive Device (um burro-bomba... ó sim, também há desses)


Líderes do Mundo:

Trabalhem bem estas duas semanas, que esta jovem...








Não sabe nadar
Yo!

Rázparta esta terra

Há dois anos foi o Inverno que foi frio demais (tudo congelado, até a água dentro da sanita), depois para compensar veio um Verão digno de Mercúrio (tudo seco, plantações todas perdidas) e agora chove, chove, chove desalmadamente. Tá tudo alagado, tudo enlameado, uma jorda sem descrição. Claro que já mandei um bate-cú daqueles que só não me partiu a anca porque torci o punho a agarrar-me à porta do carro, que por sua vez me bateu na tola. Era de manhã, estava limpinha, lavadinha e fiquei toda estragada.

O H. jura que jura que uma mulher enlameada não é assim tão má. Com certeza tem em mente a seguinte imagem:


Sucede, no entanto, que um ano e meio de letargia física e comida Afegã me pôs com 64 Kg e nem mais um centímetro para o meu ridículo 1m63, e como tal a minha figura foi esta:

Ele há dias com tanto que fazer que uma gaja até se torce toda, sem tem tempo de ir à casinha.