Em directo de Lumumbashi

Ontem à noite, reportagem em directo no telejornal daqui do Congo (empregados do restaurante todos colados a TV):

"Oui, nous pouvons confirmer... nous pouvons confirmer... oui, c'est en effect Joseph Kabila lui-meme... Joseph Kabila Kabange en personne qui arrive pour saluer la foule ici a Lumumbashi. Il porte une simple chemise, pas de cravate... Il est accompagne de sa femme, Mme Lembe di Sita. Il apparait calme et detendu, habillé avec une chemise a rayures, il marche lentement... Il salue la foule calmement, habillé simplement d'une chemise."

Colei-me eu propria a TV:
1) para ver se ele estava so de camisa ou se tambem tinha calcas
2) para ver se ainda acontecia algum coup de theatre e atentavam à vida do homem, de tal maneira o jornalista estava impressionado com a calma do presidente, a tres semanas das eleicoes, no meio do maralhal.

Esta reportagem estava na realidade cheia de reflexos da era Mobutu: um presidente que quase nunca aparecia em publico, e que nunca, nunca, andaria em mangas de camisa, sem meio leao pelos ombros e pele de leopardo no chapeu.

O lago... O raio do lago...

Nao sao os genocidaires que por aqui rondam desde que fugiram a sete pes do Rwanda em 1994 com os avancos dos gajos de Paul Kagame.
Nao sao os malucos dos Mai-Mai que bebem sangue humano porque acham que os torna invenciveis.
Nem sao os dois vulcoes mesmo aqui atras que roncam demasiado frequentemente e que volta e meia mandam a lava mais rapida do mundo toda de rojo ca para baixo.
E o lago, pa! E o sacano do lago que me mete um medo do Camane! Um lago gigante que mais parece um mar, assente, tipo cartoon destraido, em cima de uma gigantesca bolha de gas Metano. Sim, porque isto ha que dizer as coisas como elas sao: um dia o raio do lago peida-se e mata tudo a volta (por asfixia).

Sabado-Domingo-Segunda

Nova Iorque - Amesterdao
Amesterdao - Kigali
Kigali - Goma!

Entre o vulcao Nyirangongo e o Lago Kivu. Ha anos e anos que queria la ir, uma vontade que so o H. percebe. E como tal a viagem concretiza-se mesmo neste periodo mais que improvavel das nossas vidas!

Back to work

12 semanas de licenca de maternidade (a adicionar as 6 semanas de estado cetaceo em que trabalhei de casa) e estava em pulgas para re-entrar na vida activa como deve ser. Com as horas de ponta, as multidoes a correrem passeios acima e passeios abaixo entre os arranha-ceus de Midtown, a ONU, os diplomatas, as reunioes de equipa, os relatorios de missoes no terreno por comentar e alinhavar... As Armenias sao the best, adoro-as mais que tudo, mas mere au foyer nao conseguia ser. Sei que ha quem escolha isso, mas sinto-me a galaxias de distancia de quem o faz. Nao consigo conceber viver assim por escolha; ver o tempo passar em que elas crescem e eu so envelheco. Uma pessoa torna-se espectadora do mundo. Gostei de passar tempo com elas, gostei de poder recuperar do armaggedon fisico que por aqui passou sem stresses, mas gostei porque tinha uma data limite. Agora e tempo de recriarmos a nossa rotina. E tempo delas aprenderem a ter os dias delas (a independencia delas?) com mais gente que nao a mae. E ao fim do dia reencontramo-nos e trocamos ideias entre banhos e refeicoes e cancoes de embalar. Poder ser eu independentemente delas e a minha maneira de ser mae.

Damage assessment

Estou oficialmente fora do periodo pos-parto. Posso correr, saltar, nadar, andar a cavalo, fazer ski, escalada, pegar em halteres etc. Mas isto tudo jà nao é o que era. As Arménias sao uns amores, mas o que é certo é que me estraguei toda com esta brincadeira. A zona sub-abdominal tem para sempre uma cicatriz tipo "para abrir, siga o picotado", a zona abdominal parece Verdun em 1916, com estrias tao profundas que podiam ser usadas como trincheiras por mini soldados (aliados). Muito cremei eu a dita zona, que estava linda, reluzente, liza e suave em toda a sua convexidade ate ao mes de Junho quando, de repente, tudo explodiu. Os dedos da mao desincharam, sim, jà nao perecem um molho de salsichas. Mas as articulacoes devem ter expandido porque a alianca, que tirei hà 4 meses atras, esquece! - nao passa nem da metade do dedo. Tenho que alargar permanentemente. O pelame em sitios do no corpo que nao lembra ao diabo nao caiu - macaca estava, macaca fiquei. O borbulhame, idem idem aspas aspas. Mas o mais intrigante sao os pés. Incharam de maneira apocaliptica em Maio, de tal forma que deixei de entrar em sapatos. Para andar, so chanato. Os pés la desincharam, mas so para revelar o facto de terem aumentado de comprimento. Sim, passei de 38 para 40. Anos de coleccionamento de sapatos e botas lindas cano abaixo. Nao ha nada a fazer.