Damage assessment

Estou oficialmente fora do periodo pos-parto. Posso correr, saltar, nadar, andar a cavalo, fazer ski, escalada, pegar em halteres etc. Mas isto tudo jà nao é o que era. As Arménias sao uns amores, mas o que é certo é que me estraguei toda com esta brincadeira. A zona sub-abdominal tem para sempre uma cicatriz tipo "para abrir, siga o picotado", a zona abdominal parece Verdun em 1916, com estrias tao profundas que podiam ser usadas como trincheiras por mini soldados (aliados). Muito cremei eu a dita zona, que estava linda, reluzente, liza e suave em toda a sua convexidade ate ao mes de Junho quando, de repente, tudo explodiu. Os dedos da mao desincharam, sim, jà nao perecem um molho de salsichas. Mas as articulacoes devem ter expandido porque a alianca, que tirei hà 4 meses atras, esquece! - nao passa nem da metade do dedo. Tenho que alargar permanentemente. O pelame em sitios do no corpo que nao lembra ao diabo nao caiu - macaca estava, macaca fiquei. O borbulhame, idem idem aspas aspas. Mas o mais intrigante sao os pés. Incharam de maneira apocaliptica em Maio, de tal forma que deixei de entrar em sapatos. Para andar, so chanato. Os pés la desincharam, mas so para revelar o facto de terem aumentado de comprimento. Sim, passei de 38 para 40. Anos de coleccionamento de sapatos e botas lindas cano abaixo. Nao ha nada a fazer.

1 mes

Sobrevivemos ao primeiro mes das Armenias. Estamos cansados, sim, mas nada disto e o apocalipse que nos tinham agoirado inumeras Cassandras. Para já, recuperar de uma cesariana (nao havendo complicacoes) nao me parece nada por ai alem. A dor é chata mas aguenta-se e ao fim de uns dias ja e so uma impressao. Consigo andar desde primeiro dia e idas a casa de banho nao me deixam em lagrimas como me foi dito e redito tanta vez. Com tanto alarmismo, antes de elas nascerem, contratámos uma "doula" (pessoa que cuida de bebes) para vir cá a casa 2 vezes por semana durante as tres primeiras semanas. No inicio ajudou porque respondeu ao diluvio de perguntas que tinhamos, mas à terceira semana ja nao sabiamos o que fazer com ela entao pusémo-la de baby-sitter e fomos a piscina, a pedicure, ver o Harry Potter... Nao temos a casa de pantanas, nem fraldas e roupa de bébé pelos cantos. Nao temos uma pilha de roupa para lavar e nao andamos tipo zombies de pijama e mal lavados o dia todo. Vamos passear quase todos os dias, já fomos jantar fora (com elas assim cedinho), já nos revezamos para ir um tomar um copo com amigos a noite, já organizamos jantares e brunches ca em casa e hoje vamos fazer um passeio de carro pelo vale do Hudson para ver se elas gostam. Se a coisa correr bem, para a semana vamos todos passar uns dias a Washington DC. Nem acho que elas sejam particularmente fáceis de aturar. A Matilde é arraçada de suino porque está constantemente cagadinha tadinha, quase que é preciso dar-lhe banho a cada muda de fralda. A Léa é uma sofrega a comer que até faz aflicao: se uma pessoa nao controlar a coisa com cuidado, ela praticamente inala o leite e depois nao arrota e fica com solucos e acaba por vomitar metade para fora. Mas a verdade e que passam a maioria do tempo a dormir. Ajuda sermos dois e ajuda o facto de elas comerem por biberon (meio leite meu, meio leite em po), mas nao percebo o pessoal que ao minimo sinal de parto eminente enlista logo um exercito de ajudantes a tempo inteiro. Ter gente a volta para fazer companhia percebo, mas a necessidade de ter 500 pares de bracos prontos a arregacar as mangas, nao. A jovem com quem partilhei o quarto no hospital disse que ia ter a mae e a irma em casa o tempo todo e depois a irma e a sogra e isto para 1 bébé somente veja-se... Dada a completa falta de necessidade que temos de ter ajuda extra, já várias vezes nos perguntámos se estamos, sem querer, a dar cabo da saude e desenvolvimento das nossas filhas. O tempo dirá!


100% mistério

A descricao da Léa (pronunciar "Lê-a" e nao "Leia") levou tanto tempo porque ela é 100% mistério. Aos 4 dias de vida, ja levantava a cabeca com uma forca de pescoco vinda nao sei de onde, mas que jà sentia quando a tinha cà dentro e ela fazia o que chamava de "movimento do dragao" (uma guinada que me criava uma protuberancia em ràpido movimento barriga acima - bastante desconcertante). Foi ela que ficou resolutamente de cabeca para cima a gravidez toda. Tem os cabelos constantemente em pé, um esgar assim de viés e està sempre de lingua meia de fora. Dorme com um olho meio aberto, toda esfalfada na cama de bracos para cima, mais em pose de conquista do que de maos-ao-ar. So chora quando està com fome ou desconfortavel, de resto està sempre na dela. Tem uma cara que so posso descrever como estranha, e digo isto com todo o infinito amor de mae que tenho por ela. Passo horas a olhar para ela a tentar fazer sentido de tanto traco curioso e sei que, como quer que se desenvolva, nao passarà despercebida no Mundo. E por isso leva aqui varias fotos e aqui o link para a musica que lhe deu o nome quando ainda estava cà dentro. Ja na altura era "indéfinissable"

100% princesa

A Matilde tem uma carinha perfeitinha, olhos grandes em forma de amendoa, ligeiramente obliquos, que um dia ficarao a matar com um eyeliner e rimel bem aplicados. Adora o colo do seu pai, para quem fica a olhar minutos sem fim. Nao chora so quando tem a fralda suja, tem calor frio ou fome. Chora tambem quando pensa que esta sozinha (basta um de nos dizer "Matilde!" e ela cala-se logo) e quando quer que lhe peguem ao colo. A Matilde e 100% princesa: adoravel e "high maintenance".