Começa a ser um leitmotiv neste blog, mas não posso deixar de mencionar que encontrei "a minha padaria" em Nyala-South Darfur. Fica ali para trás na estrada principal, em passando a Unicef, na parte onde a estrada alarga para um descampado, tão a ver?
Fornos enormes a dar para a estrada e pão, redondinho, sem fermento, sempre quente e saboroso, a Itnên o saco de 10.
Direita: direito, reivindicação, nemesis política
Humana: ego, compaixão, imperfeição
Bugalhamento
Neste sítio há bugalhada em todo o lado: moscas gigantes que saltam 50 cm acima do chão, gafanhotos brancos que saltam por cime da minha cabeça, baratas pretas, baratas verdes pequeninas, grilos histéricos (um entrou em stress preso dentro da minha mochila por baixo da cama ontem à noite e eu levei meia hora a identificar de onde vinha o estrilho que não me deixava dormir), e os inevitaveis mosquitos-oxalá-não-portadores-de-malaria-que-eu-esqueço-me-sempre-do repelente.
Há também o buga-killer: o rato darfuriano. Corpo alongado, sinuoso, castanho, pelo sedoso.
Talvez por saber que o chão está limpo, talvez por cheirar a Omo, não sinto nojo absolutamente nenhum destas criaturas.
Há também o buga-killer: o rato darfuriano. Corpo alongado, sinuoso, castanho, pelo sedoso.
Talvez por saber que o chão está limpo, talvez por cheirar a Omo, não sinto nojo absolutamente nenhum destas criaturas.
Só falta o Príncipe
Eu sei que ninguém acredita, mas estou mesmo contente por estar aqui. Nyala tem uma atmosfera, uma energia, um magnetismo que me estão a fascinar e a angustiar ao mesmo tempo, porque à volta da cidade é miséria profunda e caos total.
Mas não imaginam como me senti hoje, quando dei uma volta pela cidade. Fim de tarde, luz de quase quase pôr-do-sol, temperatura quente mas aconchegante, numa estrada serpenteando pelo mercado. A certa altura a vegetação faz-se mais densa e o mercado morre e dou por mim numa ponte. Cheguei ao Wadi. O rio. E não mais que ume larguissima banda de areia, com uma ou outra árvore no meio, mas dezenas de pessoas passeiam, de mão dada ou abaraçadas - os homens - outros muito direitos, recolhidos sobre si e afastados - as mulheres. E à minha direita de repente o Sol, enorme, trémulo, côr-de-laranja intenso.
E ao pensar "estou em Africa" o peito encheu-se não sei se de emoção, se de medo, se de felicidade e expirei: "só falta o Príncipe".
Mas não imaginam como me senti hoje, quando dei uma volta pela cidade. Fim de tarde, luz de quase quase pôr-do-sol, temperatura quente mas aconchegante, numa estrada serpenteando pelo mercado. A certa altura a vegetação faz-se mais densa e o mercado morre e dou por mim numa ponte. Cheguei ao Wadi. O rio. E não mais que ume larguissima banda de areia, com uma ou outra árvore no meio, mas dezenas de pessoas passeiam, de mão dada ou abaraçadas - os homens - outros muito direitos, recolhidos sobre si e afastados - as mulheres. E à minha direita de repente o Sol, enorme, trémulo, côr-de-laranja intenso.
E ao pensar "estou em Africa" o peito encheu-se não sei se de emoção, se de medo, se de felicidade e expirei: "só falta o Príncipe".
Impressões preliminares
Nyala é menos quente que Khartoum
Nyala é mais verde que Khartoum
Nyala é mais pobre que Khartoum
Nyala é mais cara que Khartoum
Nyala é mais verde que Khartoum
Nyala é mais pobre que Khartoum
Nyala é mais cara que Khartoum
Verão em Berlim
Ontem, ainda Agosto era, ligámos os aquecedores em todas as divisões do apartamento.
Já parti um guarda-chuva por causa da força do vento e ando de casaco comprido e cachecol na rua. Quando a chuva abranda e pego na bicicleta fico com frieiras nas mãos porque não pus luvas e no outro dia desci o mais fundo que uma Sul-Europeia pode descer: fui a um Sun Studio apanhar raios de sol sintéticos numa espécie de nave espacial. Após ter superado o medo de estar ali deitada debaixo de raios UV, devo dizer que até relaxei e me imaginei no Algarve. Ao fim de alguns minutos comecei a sentir a pele da cara a esticar, como quando se volta para casa depois da praia, e fiquei contente com a vida em geral e a minha em particular. Não se vê grande bronze, mas foram 5 € bem utilizados porque me salvaram do suicídio.
Não obstante, independentemente dos progressos do sistema de raios UV, prometo aqui solenemente nunca mas nunca criar filhos num país do Norte.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
