Direita: direito, reivindicação, nemesis política
Humana: ego, compaixão, imperfeição
Conclusao ao fim de 1 mes e meio
Gosto muito desta sensacao de saber finalmente o que estou pr'aqui a fazer.
Aos Domingos, Bruxas enche-se de pequenos seres castanho claro que cantam coisas em coro aos altos berros e se deslocam em manada: os escuteiros.
Eu tinha cà pra mim que os escuteiros tinham alguma coisa a ver com a Igreja. Mas hoje comecei a duvidar, ou os escuteiros nao sao o que eu pensava ou a Igreja jà nao é o que era.
Estava sentada no autocarro a olhar para as minhas pernas dentro das calcas de ganga a pensar
é pà tenho mesmo que ir nadar de vez em quando ou correr ou qualquer coisa e aquele chocolate que trouxe ontem de Bruges nao o posso comer nao, agora é so saladinhas e acabarm-se também as batatas fritas na Place Jourdan...
Quando os meus olhos dao por umas pernas à minha frente que nunca mais acabavam. Iam por ali a cima e a cima e so ao chegar às ancas é que desapareciam debaixo da mini mini mini saia de uma jovem escuteira de 16 ou 17 aninhos. Ali, zàs, 80% de pernas sem collant nem nada que eu pessoalmente acho mal, sim porque com este frio nao faz nada bem andar-se assim de pele ao léu.
Outra versao desta criatura, que vi depois na rua ali ao pé do Parc, consiste na mesma proporcao de pername descoberto pela saia, mas envolto em duas meias até meio da coxa, com risquinhas coloridas horizontais tipo Pipi das Meias Altas (que é a personagem favorita do Principe e eu a pensar, ai jesus ainda bem que ele nao esta aqui).
Entao tomei medidas dràsticas e fui a pé para casa.
Demorei 52 minutos e como nao trazia as meias de descanso agora doiem-me as varizes.
Odeio mesmo escuteiras.
Eu tinha cà pra mim que os escuteiros tinham alguma coisa a ver com a Igreja. Mas hoje comecei a duvidar, ou os escuteiros nao sao o que eu pensava ou a Igreja jà nao é o que era.
Estava sentada no autocarro a olhar para as minhas pernas dentro das calcas de ganga a pensar
é pà tenho mesmo que ir nadar de vez em quando ou correr ou qualquer coisa e aquele chocolate que trouxe ontem de Bruges nao o posso comer nao, agora é so saladinhas e acabarm-se também as batatas fritas na Place Jourdan...
Quando os meus olhos dao por umas pernas à minha frente que nunca mais acabavam. Iam por ali a cima e a cima e so ao chegar às ancas é que desapareciam debaixo da mini mini mini saia de uma jovem escuteira de 16 ou 17 aninhos. Ali, zàs, 80% de pernas sem collant nem nada que eu pessoalmente acho mal, sim porque com este frio nao faz nada bem andar-se assim de pele ao léu.
Outra versao desta criatura, que vi depois na rua ali ao pé do Parc, consiste na mesma proporcao de pername descoberto pela saia, mas envolto em duas meias até meio da coxa, com risquinhas coloridas horizontais tipo Pipi das Meias Altas (que é a personagem favorita do Principe e eu a pensar, ai jesus ainda bem que ele nao esta aqui).
Entao tomei medidas dràsticas e fui a pé para casa.
Demorei 52 minutos e como nao trazia as meias de descanso agora doiem-me as varizes.
Odeio mesmo escuteiras.
A trouxa Sudanesa (ou sugestoes para prendas de Natal)
"Ja assentei muito bem tudo o que me convem pra Khartoum levar...
- uma rede anti-mosquitos impregnada com produto anti-mosquitos (nao tenho que a minha ficou em Dili)
- Repelente (4 frascos) (ja tenho mais ou menos)
- uma bolsa-farmacia com anti-dores de cabeca, anti-dores de barriga, anti-dores de estomago, anti-revolucao intestinal, creme contra entorses, comprimidos anti-malaria, seringa esterizada, pensos rapidos, adesivo, gaze (ja tenho mais ou menos)
- Dolares e Euros que chegue para viver 6 meses sem recorrer a um cartao bancario derivado a nao haver caixas para cartoes bancarios em Khartoum (ahah acham mesmo que ja tenho?...)
- camisas de algodao e cor clara para afuguentar os mosquitos e de mangas compridas para nao afuguentar os locais (so tenho 3 ou 2)
- calcas de cor clara para afuguentar os mosquitos e compridas para nao afuguentar os locais (so tenho 2 e nao sao de cor clara)
- xanatos abertos, que vao estar 35 graus todos os dias e nao ha aversao local ao dedao ao leu (ja tenho)
- saco-cama (ja tenho)
- toalha (ja tenho)
- toalhetes, nao va faltar a agua (ja tenho)
- canivete suico que da sempre jeito (ja tenho que o Principe deu-me)
- lanterna por causa dos cortes de electricidade (ja tenho)
- o meu computador com muita musica (ja tenho)
- a serie completa dos DVDs do Sex & the City, a serie completa dos DVDs do Friends, o DVD do Gato Fedorento, a serie completa dos DVDs do Servico de Urgencias, a serie completa dos DVDs do Senhor dos Aneis (ainda nao tenho)
- e no espaco restante: livros. Muitos que nao ha nada pra fazer depois do trabalho (ja tenho)
Mas o mais importante, nao me posso esquecer dos meus oculos de sol
que levo pra chorar
uh uh
sem ninguem ver
uh uh
pra nao dar
uh uh
a perceber
uh uh
o meu sofrer..."
de ter de esperar ate a Marco ou Abril para ver o Principe descer do aviao de cabelo ao
vento e correr
(Ai ai)
correr
(Ai os guardas)
de bracos abertos
(Ai qu'eles t'apanham)
"Princess!!"
ate mim, que estarei do outro lado dos guichets da emigracao.
Eh pá,
gosto de vir para casa a caminhar por uma rua onde sou a única mulher sem véu, mas onde uma mulher com véu vem a correr atrás de mim para me dar a nota de 10€ que caiu do bolso demasiado largo do meu caso falando-me numa língua que não compreendo e provavelmente não percebendo o meu "merci beaucoup", não fosse o meu tom entusiástico de reconhecimento;
onde a condutora (com véu) de um carro cheio de mulheres (com véu) me pergunta a mim (sem véu) o que é que está a acontecer ali na praceta de onde vem um som de música Turca;
e gosto também de um bairro onde um enorme homem negro como a noite, com um ar de mau daqueles que mete mesmo medo, me pergunta atrapalhado, no lavomatique, se se pode misturar loupa branca com roupa de côr na máquina de secar porque a mulher lhe disse faz-te útil, homem, vai lavar a roupa, mas tem cuidado não me mistures roupa de côr diferente. Na máquina de lavar, obviamente.
Ninguém parece julgar-me aqui. Ninguém parece pensar esta não é de cá, não percebe nada.
Gosto.
gosto de vir para casa a caminhar por uma rua onde sou a única mulher sem véu, mas onde uma mulher com véu vem a correr atrás de mim para me dar a nota de 10€ que caiu do bolso demasiado largo do meu caso falando-me numa língua que não compreendo e provavelmente não percebendo o meu "merci beaucoup", não fosse o meu tom entusiástico de reconhecimento;
onde a condutora (com véu) de um carro cheio de mulheres (com véu) me pergunta a mim (sem véu) o que é que está a acontecer ali na praceta de onde vem um som de música Turca;
e gosto também de um bairro onde um enorme homem negro como a noite, com um ar de mau daqueles que mete mesmo medo, me pergunta atrapalhado, no lavomatique, se se pode misturar loupa branca com roupa de côr na máquina de secar porque a mulher lhe disse faz-te útil, homem, vai lavar a roupa, mas tem cuidado não me mistures roupa de côr diferente. Na máquina de lavar, obviamente.
Ninguém parece julgar-me aqui. Ninguém parece pensar esta não é de cá, não percebe nada.
Gosto.
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